Carneiro diz que não procura eleições antecipadas, mas que PS estará preparado

Líder do PS disse ainda que vê na AD "o principal fator de instabilidade".

26 de fevereiro de 2026 às 12:35
Foto: Tiago Petinga/LUSA_EPA
Partilhar

O recandidato à liderança socialista, José Luís Carneiro, assegurou esta quinta-feira que o PS não procura eleições antecipadas nem crises, mas estará "preparado para todas as responsabilidades", secundando críticas de Passos Coelho à AD que acusa de "fator de instabilidade".

José Luís Carneiro entregou esta quinta-feira ao presidente do PS, Carlos César, a sua moção global de estratégia com a qual se apresenta às diretas e ao XXV Congresso Nacional, uma recandidatura na qual não terá opositor já que o prazo termina esta quinta-feira e até agora não apareceu nenhum nome.

Pub

"O PS não criará crises políticas, mas estará preparado para todas as responsabilidades", respondeu aos jornalistas depois do ato formal da entrega.

O líder do PS disse ainda que vê na AD "o principal fator de instabilidade".

"Olhando para as declarações do doutor Passos Coelho em relação ao Governo, elas de facto suscitam a maior preocupação sobre a capacidade da própria AD manter a estabilidade política no país", referiu. Para Carneiro, o antigo primeiro-ministro "tem razão quando diz que não há qualquer reforma do Estado, contrariamente àquilo que o Governo apresenta", concordando também quando o social-democrata "diz que o Governo está a enxamear toda a Administração Pública com cargos de cariz partidário, fragilizando as funções essenciais do Estado".

Pub

No texto da moção pode ler-se que os socialistas não procuram "eleições legislativas antecipadas", mas têm "que estar preparados para estar à altura de todas as responsabilidades".

"Esta Moção de Política Global que proponho ao Congresso Nacional é isso mesmo, o continuar de um amplo movimento participativo de preparação das políticas da futura governação do PS", refere.

Questionado sobre o facto de ir concorrer sozinho e de isso poder ser um sinal de fragilidade, Carneiro afirmou que nunca se pode "ter o melhor de dois mundos".

Pub

"Se tivéssemos muitos adversários, diriam que o partido estava pulverizado, estava fragmentado. Porque agora sou um candidato único, também não pode ser visto aí um fator de fraqueza. Diria que é um fator de força não ter aparecido nenhuma candidatura alternativa à atual liderança do Partido Socialista", defendeu.

Segundo o recandidato ao cargo de secretário-geral do PS, houve "dois meses para a convocação de todos os atos eleitorais".

"Naturalmente que o esforço que foi desenvolvido por mim ao longo destes seis meses foi um esforço de inclusão, de abertura à participação de todas e de todos. E esse apelo continua a ser válido hoje. Estou a realizar sessões por todo o país e aquilo que quero dizer é convocar mesmo aqueles que têm posições mais críticas a participarem ativamente nessas sessões que visam fazer a tal discussão mais aprofundada com a sociedade civil e também com os militantes do partido", desafiou.

Pub

Carneiro disse que tinha de "respeitar a vontade de quem entende que esta candidatura representa a globalidade e a generalidade dos socialistas" e reiterou que "não é um sinal de fragilidade" protagonizar uma candidatura única.

O líder do PS referiu que as prioridades da sua moção estratégica são muito claras.

"Habitação, saúde, salários, uma economia que incorpora um choque de tecnologia e que se baseia numa nova política fiscal para garantirmos melhores remunerações, tendo a ambição que até 2035 sejamos capazes de ter salários médios em Portugal equiparáveis aos salários médios europeus", resumiu.

Pub

No texto da moção, espaço para as presidenciais, recentemente ganhas pelo ex-líder do PS António José Seguro.

"O PS logrou assim as duas condições essenciais para uma vitória do centro-esquerda nas eleições presidenciais: ter um candidato; e só ter um candidato. O centro-esquerda unido suplantou o centro-direita dividido na primeira volta e derrotou a extrema-direita na segunda. Desponta um cenário de bipolarização entre uma direita cada vez mais radicalizada e o PS, que é hoje a casa comum dos Democratas, Progressistas e Humanistas".

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar