Carneiro pede reunião com primeiro-ministro para esclarecer polémicas com Luís Neves
Secretário-geral do PS disse já ter formalizado o pedido ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, e que aguarda resposta.
O secretário-geral do PS revelou esta terça-feira que solicitou uma reunião ao primeiro-ministro para pedir esclarecimentos sobre a polémica com o ministro da Administração Interna, esperando ser recebido esta semana.
José Luís Carneiro, que falava aos jornalistas à entrada para uma reunião com o núncio apostólico em Portugal na embaixada da Santa Sé, em Lisboa, disse já ter formalizado o pedido ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, e que aguarda resposta.
O líder socialista afirmou querer ouvir "esclarecimentos sobre todos os factos" a envolver a polémica com o ministro da Administração Interna, Luís Neves.
"Em função desses esclarecimentos, tomarei uma decisão de transmitir ao primeiro-ministro aquela que é a posição do PS", acrescentou, afirmando esperar ser recebido ainda esta semana.
Carneiro sublinhou que pedirá esclarecimentos cabais secretário-geral do PS disse que, como a sociedade portuguesa, quer ver "esclarecidas as atitudes, comportamentos e decisões" de um ministro que, acrescentou, tem "uma função da maior responsabilidade, que é a de tutelar as polícias, que tem precisamente por função aplicar e cuidar da aplicação da lei".
Questionado sobre a Comissão Permanente extraordinária pedida pela IL para ouvir Luís Neves, indeferida pelo presidente do Parlamento, José Pedro Aguiar-Branco, Carneiro afirmou que os socialistas foram "veementes na Conferência de Líderes a defender que essa audição devia ocorrer".
Apesar de Aguiar-Branco, em relação ao requerimento da IL, escrever verifica-se que não se formou consenso na conferência de líderes quanto à convocação extraordinária deste órgão, tendo apenas os liberais pronunciado favoravelmente, o líder do PS frisou que "desde a primeira hora" o partido "transmitiu que apoiaria a iniciativa de ouvir o ministro na Assembleia da República".
"O PS apoiou a Iniciativa Liberal para ouvir o ministro da Administração Interna na Assembleia Republicana, mas a veemência não é pela voz alta ou pela voz baixa, é pela seriedade de propósitos e pela coerência de propósitos", sublinhou.
O líder do PS frisou ainda que está em causa uma "matéria especialmente sensível" relacionada com o "desaparecimento de um atrelado que tinha matéria factual e prova fundamental para um dos crimes mais complexos, nomeadamente o tráfico de drogas".
"É uma conversa que devo ter com o primeiro-ministro sobre as instituições democráticas, sobre a forma como as instituições democráticas estão ou não a salvaguardar valores fundamentais de transparência, de prestação de contas, de lisura e de sentido de probidade no desempenho das mais importantes funções no Estado", sublinhou.
Carneiro disse ainda discordar da leitura de que o PS tenha mudado a sua posição em relação ao caso de Luís Neves, argumentando que os socialistas sempre defenderam "nem o silêncio, nem o julgamento público" neste caso.
"Quem diz nem o silêncio, nem o julgamento público, o que procura é tratar um assunto de grande responsabilidade, como é este, de grande sensibilidade, com a maturidade política que exige um tema desta natureza", assinalou.
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