Carneiro quer conhecer posição do primeiro-ministro sobre contas públicas

Secretário-geral do PS aponta contradições entre os ministros da Economia e das Finanças.

18 de fevereiro de 2026 às 12:21
José Luís Carneiro
Partilhar

O secretário-geral do PS afirmou esta quarta-feira que quer conhecer a posição do primeiro-ministro sobre o impacto da resposta aos efeitos das recentes tempestades nas contas públicas, matéria que no seu entender está a dividir o Governo PSD/CDS-PP.

José Luís Carneiro falava na sede nacional do PS, em Lisboa, numa conferência de imprensa em que apresentou um conjunto de propostas de apoio às populações, empresas e autarquias afetadas pelas tempestades.

Pub

Questionado se o PS admite viabilizar um eventual Orçamento retificativo, José Luís Carneiro não respondeu diretamente à pergunta e considerou que "o Governo está dividido sobre a forma de responder a esta questão", apontando contradições entre os ministros da Economia e das Finanças.

"Está por conhecer a posição do primeiro-ministro. Pretendo, portanto, no debate que terei com o senhor primeiro-ministro na quinta-feira, procurar compreender qual é a posição que tem o senhor primeiro-ministro [Luís Montenegro] a propósito deste tema", acrescentou.

José Luís Carneiro defendeu que "é preciso que o Governo esclareça a sua posição".

Pub

"Portanto, procurarei garantir que o Governo esclarece a sua posição no debate parlamentar com o primeiro-ministro", reforçou.

O secretário-geral do PS referiu que "o ministro da Economia [Manuel Castro Almeida] veio dizer que em circunstância alguma o Estado poderia falhar às pessoas naquilo que são as suas necessidades fundamentais e, portanto, a questão orçamental não era a questão prioritária", enquanto o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, veio depois "dizer que, em circunstância alguma, se colocaria em causa o rigor das contas públicas e o rigor orçamental".

Antes, nesta conferência de imprensa, José Luís Carneiro lembrou que o PS viabilizou, pela abstenção, o Orçamento do Estado para 2026.

Pub

"Não tivesse sido a responsabilidade do PS ao abster-se no Orçamento do Estado para 2026 e nós teríamos tido uma calamidade que se abateu sobre o país, estaríamos no meio de eleições presidenciais, o país estaria a responder a esta crise em duodécimos, e não saberemos como é que teriam terminado as eleições presidenciais num quadro de crise desta natureza e numa incapacidade do Estado para responder", disse.

Segundo José Luís Carneiro, o PS tem colocado "o interesse do país acima dos interesses partidários", mas "o mesmo parece não acontecer da parte do Governo, que se tem manifestado insensível às propostas" do PS.

"Até hoje, naquilo que foram matérias centrais, aquilo que nós podemos observar é que houve uma tendência do primeiro-ministro para se entender com o Chega e não para se entender com o PS", criticou o antigo ministro da Administração Interna.

Pub

O secretário-geral do PS apresentou esta quarta-feira um conjunto de propostas de apoios às populações, empresas e autarquias afetadas pelas recentes tempestades.

"No nosso entender e na avaliação que fizemos, estas propostas enquadram-se no perímetro da despesa que o Estado assegurou estar disponível para fazer", declarou.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar