CASA DE ISALTINO ESTÁ AO ABANDONO

A casa onde Isaltino Morais nasceu e viveu, único imóvel deixado em herança pelos pais, património do ex-ministro das Cidades, Ambiente e Ordenamento do Território e de uma irmã mais velha, está em degradação total, com sinais evidentes de ter sido deixada ao abandono, sendo considerada pela população da aldeia como a única parte da herança que não terá sido vendida.

22 de abril de 2003 às 00:00
Partilhar

Os "vinte prédios" que Isaltino Morais afirma ser detentor aos 14 anos estão agora agregados às propriedades do meio-irmão mais velho, Luís Alves, não sendo no entanto possível confirmar como terá sido efectuada a transacção dos terrenos (prédios) entre os irmãos e quanto terão rendido em dinheiro ao ex-governante.

Refira-se que os "prédios" em questão se tratam de campos, leiras, pedaços de terreno plantados com oliveiras, amendoeiras e videiras e não de nenhum imóvel de habitação. No nordeste transmontano há o hábito de usar a expressão "vou ao meu prédio buscar uma couves", como referência a um quintal onde as hortaliças estão plantadas.

Pub

Isaltino Afonso Morais, nasceu em S. Salvador, no concelho de Mirandela, a 29 de Dezembro 1949. Segundo filho do segundo matrimónio da mãe, frequentou a escola primária da aldeia até completar a 4.ª classe. Ao CM, vários habitantes com sensivelmente a mesma idade do político recordaram alguns momentos passados nos tempos de escola e as brincadeiras que faziam, em especial jogar a bola "um dos vícios mais apetecidos de todos naquela altura".

Recordam Isaltino como "um menino a quem não faltava nada e que andava sempre alegre e bem disposto. Bom aluno, não precisava de estudar muito para saber as matérias".

Com a morte do pai, um agente da PSP reformado, a continuidade dos estudos de Isaltino e da irmã, Floripes Morais, decorre em Bragança, tendo para o feito a mãe alugado uma pequena casa naquela cidade onde passaram a viver durante a semana, apenas regressando à aldeia aos fins--de-semana.

Pub

"Desde que foram para Lisboa, só esporadicamente vinham cá à aldeia. A casa está como se vê, a cair aos pedaços, e depois da morte da mãe só de longe a longe, em dias de festa, é que visitavam o irmão", explicou Maria do Céu Fraga, 68 anos, para quem "naquela altura só estudava quem tinha posses e a prova disso é que o outro irmão, Luís Alves, ficou toda a vida na lavoura, mas vive bem. Tem boas posses, são das famílias mais abastadas da aldeia".

A aldeia é pequena mas não foi possível chegar à fala com nenhum familiar de Isaltino Morais. Entre os habitantes há, nalguns casos, hostilidade com os repórteres quando estes procuram saber informações mais pormenorizadas sobre de dinheiros ou contas na Suíça.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar