Catarina Martins sobre medidas de desconfinamento: "Espero que os trabalhadores não se sintam chantageados"

Quando fez acordo com o Governo, em 2015, “era tempo de vacas magras”, diz líder do BE.

01 de maio de 2020 às 10:34
Catarina Martins Foto: Pedro Ferreira
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A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, apoia as medidas de desconfinamento decididas pelo Governo, mas espera "que os trabalhadores não se sintam chantageados a trabalhar sem as devidas condições de segurança", afirmou esta quinta-feira em entrevista à CMTV.

"O Governo sente que pode arriscar", mas a líder bloquista avisa que "é preciso ter muita atenção com as populações inseridas em grupos de risco" e "permitir que as pessoas se mantenham em teletrabalho ou, quando não for possível, se mantenham em casa, mas com salário".

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Para as micro e pequenas empresas, que são a grande fatia do tecido industrial português, Catarina Martins defende que "o Governo deveria apostar sobretudo em subvenções, em vez de linhas de crédito que no futuro agravam o endividamento, mas apenas para quem garantir os postos de trabalho". E atacou as grandes empresas que estão a distribuir dividendos: "É inaceitável, depois ficam mais frágeis e vão acabar por despedir ou pedir dinheiro ao Estado."

Em relação à crise que a TAP está a viver, a líder do BE é taxativa: "O Estado tem de salvar a TAP, mas tem de mandar na TAP em nome do interesse público e da soberania do País." "Todo o apoio que vier é público. Não tem sentido que isso sirva para uma gestão de curto prazo", sublinhou.

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O aeroporto do Montijo, que do ponto de vista ambiental já mereceu uma nega do BE, sobretudo agora não deve avançar, de acordo com Catarina Martins. "No ano passado tivemos 27 milhões de turistas. Não é credível que voltemos a ter esse montante. Por isso, do ponto de vista económico não faz sentido o aeroporto do Montijo", disse.

A coordenadora bloquista considera "fundamental um orçamento suplementar para fazer face à despesa acrescida com apoios para empresas e trabalhadores". Mas alerta que não irá alinhar com mais austeridade, respondendo ao primeiro-ministro, António Costa, quando este disse que ficaria muito desiludido se só pudesse "contar com o PCP e com o BE em momentos de vacas gordas". Catarina Martins esclareceu que "quando fez um acordo em 2015 o que já havia era precisamente um tempo de vacas magras". E adiantou: "Foi porque forçámos o fim dos cortes e as subidas de salários e pensões, ainda que tímidas, que a economia reagiu e o País ficou melhor."

Se o Governo não quer que esta crise se transforme numa recessão "vamos ter de proteger salários, pensões e o SNS. Não vai ser fácil, mas nada seria mais errado do que fazer o que no passado já deu asneira", sublinhou a líder bloquista.

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