Cavaco nomeou cunhada para assessora da mulher enquanto foi Presidente da República

Gabinete de Cavaco lembra "mérito" profissional de Margarida Mealha.

09 de abril de 2019 às 07:34
Cavaco Silva Foto: CMTV
Cavaco Silva Foto: Nuno Veiga/Lusa
Cavaco Silva Foto: Lusa
Cavaco Silva Foto: Lusa

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Aníbal Cavaco Silva disse que tinha ido ver a constituição dos seus Governos e que tinha constatado com prazer que não se encontravam familiares entre os quadros. Era falso, já que havia nomeado pelo menos um cunhado. Foram depois descobertas várias nomeações de familiares por parte de alguns dos seus governantes. Mas também na presidência houve nomeações, neste caso para uma cunhada.

A mulher de Cavaco Silva, Maria Cavaco Silva, teve como assessora a cunhada Margarida Mealha Santos Silva, que assessorou a primeira-dama no Gabinete de Apoio ao Cônjuge, de acordo com o jornal Observador.

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O gabinete de Cavaco confirmou a noemação ao jornal digital, mas refereiu que o gabinete de apoio "nunca teve quaisquer funções ligadas à ação política e constitucional do Presidente da República", serviundo apenas de " apoio à atividades essencialmente de cariz social e cultural da sua mulher, em particular a intensa ação desenvolvida junto das associações de apoio aos deficientes".

O mesmo gabinete explicou que Maria Cavaco Silva quis para assessora alguém da sua confiança pessoal e que a confiança "foi reforçada pelo conhecimento do mérito da Margarida Mealha no seu percurso profissional no sector privado, onde tinha um cargo de direção numa empresa ligada ao sector dos transportes marítimos".

De acordo com o Observador, Margarida Santos Silva era, antes do cargo em Belém, chefe de serviços da Sadomarítima da Agência de Navegação e Trânsitos.

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Face à recente polémica de relações familiares no Governo de António Costa, o antigo Presidente da República Cavaco Silva considerou a prática de "jobs for the boys" como "indecorosa".

O caso foi relembrado por Ana Catarina Mendes, secretária-adjunta do PS, durante um debate na SIC Notícias através da capa do jornal O Independente de 7 de fevereiro de 1992 – depois da segunda maioria absoluta do PSD. Na mesma, intitulada "A Mulher do Próximo: Ministros e secretários de Estado empregam as mulheres no Governo", são indicadas 13 mulheres e duas irmãs de governantes ou pessoal de gabinete que foram nomeados pelo segundo Governo de Cavaco Silva.

A investigação, realizada por Paulo Portas – que estava, na altura, na direção do jornal – revelava, segundo Ana Catarina Mendes, "quais eram as escolhas do primeiro-ministro Cavaco Silva".

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Maria dos Anjos Nogueira era enfermeira de profissão e tornou-se adjunta do secretário de Estado da Saúde, Martins Nunes, sendo mulher do ministro da Presidência, Fernando Nogueira. Maria dos Anjos Nogueira já tinha estado na equipa da ministra da Saúde do anterior Governo de Cavaco Silva, Leonor Beleza, que chegou a tutelar a pasta ao mesmo tempo que o seu irmão, Miguel Beleza, era ministro das Finanças.

Enquanto isso, Fernando Nogueira, que também foi ministro da Defesa Nacional no segundo Governo de Cavaco Silva, nomeou para o seu gabinete Maria Cândida Menezes, antes de Luís Filipe Menezes, seu marido, ser nomeado secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares.

O jornal contava também que Fátima Dias Loureiro, mulher do antigo ministro da Administração Interna, Dias Loureiro, foi nomeada adjunta de Pedro Santana Lopes, que era, na altura, secretário de Estado da Cultura. No entanto, Fátima Dias Loureiro já pertencia ao "quadro da função pública" e já trabalhava na mesma secretaria de Estado no Governo anterior.

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Existe ainda um cruzamento de ministros, secretários de Estado e as suas mulheres: Luís Marques Mendes, secretário de Estado da presidência do Conselho de Ministros, tinha no seu gabinete Celeste Amaro, mulher do então secretário de Estado da Agricultura, Álvaro Amaro – atual número cinco na lista do PSD às eleições europeias de maio. Ao mesmo tempo, a mulher de Marques Mendes, Sofia, era adjunta de Álvaro Amaro na Agricultura.

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