Cavaco Silva faz radiografia a Sócrates em livro

Em ‘Quinta-feira e Outros Dias’, Cavaco conta que começou a ficar desconfiado com as boas notícias de Sócrates.

16 de fevereiro de 2017 às 08:26
cavaco silva, presidente, ex. belém Foto: António Cotrim/Lusa
Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa, Sócrates. Foto: LUSA
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Cavaco Silva, livro, José Sócrates, BPN, OTA, Operação Marquês, Belém, política Foto: André Kosters/Lusa

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São 592 páginas quase integralmente dedicadas a fazer a radiografia das tradicionais reuniões às quintas-feiras no Palácio de Belém entre o ex-primeiro-ministro José Sócrates e o ex-Presidente da República Cavaco Silva, cuja coabitação teve momentos difíceis, nomeadamente quando rebentou o chamado caso das escutas a Belém.

O livro ‘Quinta-feira e Outros Dias’, que amanhã será lançado no Centro Cultural de Belém, conta as memórias de Cavaco Silva em dez anos de mandato, mas a maior fatia dos capítulos, pelo menos 29, é dedicada à coabitação com José Sócrates e aos primeiros cinco anos no Palácio de Belém. "A parte central do livro diz respeito aos assuntos tratados com José Sócrates", diz ao CM uma fonte que já leu a obra, sublinhando que o nome escolhido para a obra ilustra precisamente as tradicionais reuniões entre o Chefe de Estado e o primeiro-ministro.

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Na história da coabitação com Sócrates, Cavaco recorda episódios que vão desde a nacionalização do BPN ao novo aeroporto de Lisboa, TGV e acordo entre o PS e o PSD sobre a reforma da Justiça. O antigo Presidente revela até pormenores insólitos e preocupantes, como, por exemplo, Sócrates chegar sempre atrasado às reuniões e o facto de rapidamente começar a ficar desconfiado das boas notícias que lhe levava. Além do mais, conta, frequentemente as palavras de José Sócrates, agora arguido na Operação Marquês, não estavam conforme a realidade dos factos.

Relativamente a José Sócrates abusar dos atrasos, um colaborador próximo do ex-Presidente contou ao Correio da Manhã que "em Belém havia indicação para nunca deixar transparecer os atrasos". E a razão, acrescenta a mesma fonte, é que "poderia ser interpretado como uma fraqueza do Presidente da República". Ou seja, poderia passar a ideia de que o primeiro-ministro não respeitava o Chefe de Estado.

Aníbal Cavaco Silva conta também na publicação que foi a sua intervenção que pôs um ponto final na opção do Governo de Sócrates pela Ota para o novo aeroporto de Lisboa.

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Uma narrativa de memórias

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