CDS contra cartaz fraudulento do PS

O cartaz do PS que contém a pergunta: ‘Abstenção para manter a prisão?’ está a lançar a polémica entre os defensores do ‘não’ ao aborto. O líder do CDS-PP, Ribeiro e Castro, desafiou mesmo os socialistas a retirarem o ‘outdoor’, que classificou de fraudulento”, e exigiu que o ministro da Justiça esclareça se existem mulheres em Portugal presas pela prática de aborto até às 10 semanas.

11 de janeiro de 2007 às 00:00
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“É absolutamente chocante e indigno que o PS, partido maioritário e do Governo, insista na técnica da mentira e da demagogia para procurar enganar os portugueses no fito de tentar ganhar votos”, pode ler-se no comunicado da comissão executiva do CDS. E acrescenta: “Não há em Portugal uma só mulher em situação de prisão por crime de aborto”. Por isso, Ribeiro e Castro considera que “os socialistas têm a obrigação de retirar este cartaz e renunciar a técnicas indignas e vergonhosas de publicidade enganosa”.

SOCIALISTAS PELO 'NÃO'

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Mas as críticas a este cartaz não partiram apenas dos democratas-cristãos. Também os socialistas, defensores do ‘não’ acusaram o líder do partido, José Sócrates (ver caixa). Foi o caso de Cláudio Anaia, dirigente do PS/Barreiro. “Lamentamos que o nosso PS entre neste tipo de discurso, quando é sabido que em 30 anos de democracia nunca uma mulher foi presa pela prática de aborto”, afirmou ao CM. Cláudio Anaia, que lidera um grupo de entre 40 a 50 socialistas católicos, que vão fazer campanha pelo ‘não’, lembrou ainda que a revisão do Código Penal prevê a suspensão de penas até três anos de prisão, casos onde está incluído o aborto. “O PS deveria preocupar-se com outras coisas, como canalizar os 10 milhões de euros que vai gastar no referendo, para as mulheres que precisam de ajuda”, concluiu.

Segundo adiantou ao CM, o grupo de socialistas católicos que lidera vai afixar em todo o País cerca de três mil cartazes com o slogan: ‘Ser de Esquerda é ser pela vida’. Acontece que o cartaz tem um erro ao referir ‘socilaistas católicos’, em vez de socialistas católicos. O movimento irá distribuir ainda dez mil autocolantes.

Já o ex-secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, que ontem formalizou o ‘Movimento Voto Sim’ com 11 211 assinaturas, apelou a uma unidade entre os movimentos a favor e contra o aborto em torno de um combate à abstenção no referendo de 11 de Fevereiro.

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"SIM COM MODERAÇÃO"

José Sócrates afirmou ontem que se empenhará na campanha do ‘sim’ à despenalização do aborto com argumentos “moderados” e que dentro do seu partido haverá espaço para os defensores do ‘não. “O PS estará envolvido e empenhado” a favor do ‘sim’ na campanha para o referendo ao aborto, “mas dentro do PS há espaço para todos, mesmo para os que não concordam” com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, declarou o líder do PS antes de se reunir com a bancada socialista no Parlamento. Em declarações aos jornalistas, o primeiro-ministro procurou assegurar que, apesar de o seu partido ter uma posição oficial a favor do ‘sim’, “haverá uma posição de tolerância e de abertura”.

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