Chega acusa Governo de preferir "fazer propagada" em vez de "ajudar a população"
André Ventura voltou a exigir medidas para aliviar o preço dos alimentos e dos combustíveis.
O presidente do Chega, André Ventura, acusou esta terça-feira o Governo de estar mais preocupado "em fazer propaganda" do que "ajudar a população" e voltou a exigir medidas para aliviar o preço dos alimentos e dos combustíveis.
"Num momento em que já se sabia, desde há uns meses, quais eram as previsões, não só do Banco de Portugal como de outras instituições, em relação à evolução da economia e em relação à estrutura de contas dos próximos anos, o Governo opta por, num momento em que as pessoas enfrentam a maior inflação dos últimos anos, a maior pressão dos combustíveis dos últimos anos e a maior pressão no cabaz alimentar dos últimos anos, fazer um anúncio de caráter contabilístico ou orçamental", criticou o líder do Chega.
Em conferência de imprensa na sede nacional do partido, em Lisboa, André Ventura referia-se às declarações do ministro das Finanças, que admitiu esta manhã um risco de a economia registar um défice orçamental este ano, que não deve ultrapassar o limite de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
O presidente do Chega acusou o Governo de não estar "empenhado nem comprometido verdadeiramente em devolver à economia o excesso de cobrança de impostos que tem feito aos portugueses".
E defendeu que o executivo deveria ter anunciado a isenção de IVA do cabaz alimentar ou a redução deste imposto no gás, eletricidade ou combustíveis.
"O que o Governo hoje queria dizer era que conseguiu uma grande magia com os números, mas o que se mostra é que tem uma grande hipocrisia de políticas, pois não conseguiu tornar esses números num impacto real na vida dos portugueses", afirmou.
André Ventura voltou ainda a acusar o Governo de querer lucrar com o aumento dos preços decorrentes do conflito no Médio Oriente, considerando que se trata de um "esbulho fiscal".
O líder do Chega aproveitou também para acusar o PS de hipocrisia por não ter votado favoravelmente as propostas do seu partido neste âmbito, votadas no parlamento na semana passada.
"O que temos hoje é propaganda do lado do Governo e hipocrisia por parte do terceiro partido do parlamento, que inviabilizam verdadeiramente a tomada de decisões que pudessem ir ao encontro daquilo que melhor se tem feito na Europa", lamentou.
Ventura avisou que "a situação está a ficar verdadeiramente desastrosa para os consumidores" e considerou que "não é preciso ser economista para perceber que os preços vão continuar a aumentar de forma muito sustentada".
Esta manhã, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, admitiu que há um risco de a economia registar um défice orçamental este ano, que não deve ultrapassar o limite de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Em entrevista à Antena 1, o governante apontou que tem de existir um "equilíbrio entre manter as contas equilibradas, o que não significa que não possa existir um pequeno défice, e responder às crises".
"Há um número que manteria o país bastante mais confortável, que é o défice não ser superior a 0,5%, porque se for coloca-nos numa discricionariedade de decisão da Comissão Europeia", admitiu, ainda que acreditando que Bruxelas "não abriria um procedimento por défice excessivo".
No Orçamento do Estado para 2026, o Governo previa um excedente de 0,1% do PIB este ano, valor que poderá estar em causa devido ao impacto das tempestades e também da guerra no Irão, que provocou uma subida nos preços dos combustíveis.
No que diz respeito aos apoios para responder ao impacto do conflito no Médio Oriente, o governante reiterou que o executivo irá atuar em função da evolução da situação, acrescentando que "a breve trecho" deverão existir medidas para responder à subida de preços dos fertilizantes.
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