Chega espera que Governo recue no 'lay-off' e admite pedir avaliação do impacto orçamental
André Ventura indicou que vai falar sobre este assunto com o primeiro-ministro na reunião prevista para quarta-feira sobre o PTRR e tentar "convencer o Governo a voltar aos 100%".
O líder do Chega disse esta terça-feira que vai tentar convencer o primeiro-ministro para que o 'lay-off' na resposta ao mau tempo seja pago a 100% e admitiu pedir ao parlamento uma avaliação do impacto orçamental desta medida.
Em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, André Ventura indicou que vai falar sobre este assunto com o primeiro-ministro na reunião prevista para quarta-feira sobre o PTRR e tentar "convencer o Governo a voltar aos 100%".
O presidente do Chega voltou a indicar que o partido vai aprovar a apreciação parlamentar apresentada pela esquerda ao regime de 'lay-off', medida que deverá ser aprovada, uma vez que o PS também já manifestou concordância.
"Se não for possível convencer o Governo para essa mudança de 100%, nós votaremos a favor dos 100% e, entre aspas, forçaremos o Governo a pagar os 100% das pessoas que foram afetadas, por eu achar, e o partido achar, que isto é da mais elementar justiça", indicou André Ventura.
Sobre o pedido de "bom senso" do PSD à oposição e o aviso de que alguns dos diplomas que vão ser debatidos na quarta-feira de resposta aos efeitos do mau tempo podem "colidir com a lei-travão", o líder do Chega lamentou que o Governo não tenha pensado nisso antes de anunciar o 'lay-off' a 100%" e defendeu que "a norma-travão não pode servir para umas coisas e não servir para outras".
"Nós estamos dispostos a pedir uma avaliação à Comissão de Orçamento e Finanças sobre o impacto que esta medida traz, mas não me parece que este pagamento a 100%, prometido pelo Governo nas zonas afetadas e nas zonas onde estamos a ter estes problemas com mais intensidade, ponha em causa o equilíbrio orçamental", defendeu.
E alertou que esta é "uma ajuda absolutamente fundamental para estas pessoas e para as empresas poderem retomar a sua atividade".
"Não foi o Chega que avançou com o pagamento dos [salários a] 100% em caso de 'lay-off', o Governo é que disse que pagaria a 100%. O pior que podemos fazer no meio de uma gestão de crise é dizer às pessoas que vamos pagar a 100%, ou a 80%, ou a 70%, e uns dias depois vir dizer que afinal não pagamos a 100%, pagamos a 70%, ou a 30%, ou a 10%", criticou, pedindo ao Governo que "honre a palavra dada" porque "há perfeita capacidade orçamental" para o fazer.
André Ventura considerou que, "numa situação de incerteza, de dificuldade", deve ser feito "o possível para garantir que as empresas têm todas as condições de manter os seus funcionários e a sua estrutura produtiva".
O líder do Chega afirmou que nesta matéria, bem como na revisão da lei laboral, "ainda é possível fazer as coisas bem feitas".
"Se o Governo quiser sempre fazer-se vítima e entrar em choque com o parlamento, lamento esse caminho, mas acho que ainda é possível fazermos as coisas bem feitas. Podemos ainda garantir o pagamento às pessoas, podemos ainda garantir que retomam a sua vida sem meter em causa o equilíbrio orçamental, com responsabilidade", advogou.
Nesta conferência de imprensa, André Ventura foi questionado sobre a escolha de Luís Neves para ministro da Administração Interna e disse esperar que o novo governante, "quer nos polícias, quer nos bombeiros, na prevenção a incêndios, na garantia de segurança, faça o que o Governo ainda não teve coragem de fazer".
E também consiga, "pela primeira vez em muitos anos, pôr em ordem uma casa que está em absoluta desordem" e "everter um bocadinho do desastre que tem sido" esta área governativa.
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