Chega quer ouvir mais de 50 pessoas no inquérito, incluindo Luís Neves e António Costa

Além de Luís Neves, na qualidade de anterior diretor nacional da PJ, o Chega quer chamar também ao Parlamento o atual, Carlos Cabreiro, e o antigo diretor Almeida Rodrigues.

23 de outubro de 2026 às 19:45
Assembleia da República Foto: Tiago Petinga
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O Chega propôs a audição de mais de 50 pessoas na comissão de inquérito aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária (PJ), incluindo o agora ministro da Administração Interna e o antigo primeiro-ministro António Costa.

De acordo com a lista divulgada esta sexta-feira pelo partido que forçou esta comissão de inquérito, o Chega quer ouvir o antigo primeiro-ministro, António Costa, e o seu antigo chefe de gabinete Vítor Escária, a atual ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, e as antecessoras Francisca Van Dunem e Catarina Sarmento e Castro.

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Além de Luís Neves, na qualidade de anterior diretor nacional da PJ, o Chega quer chamar também ao Parlamento o atual, Carlos Cabreiro, e o antigo diretor Almeida Rodrigues.

O juiz Carlos Alexandre, o ex-secretário-geral do ministro da Administração Interna Ricardo Carrilho, a adjunta do ministro da Administração Interna Valentina Marcelino, a chefe de gabinete de Luís Neves, as jornalistas Sandra Felgueiras e Felícia Cabrita e os sindicatos ligados à PJ também constam da lista.

Da PJ, o partido de André Ventura propõe a audição de nomes que ainda estão ligados à direção daquela polícia e outros que já não, como Pedro do Carmo, João Melo, Veríssimo Milhares ou Álvaro Pires, diretor de serviços de gestão financeira e patrimonial.

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Também o empresário da empresa que fez obras na propriedade de Luís Neves, a Construbarcelos, o presidente da Câmara Municipal de Odemira, a presidente da Entidade para a Transparência, o coordenador da operação Pacoba, advogados dos arguidos desta operação ou o motorista que transportou o atrelado com os químicos apreendidos constam desta lista.

Em comunicado, o Chega justifica que a escolha das pessoas a ouvir "foi definido dentro de uma lógica específica: os titulares políticos que interagiram com Luís Neves, os titulares hierárquicos que agiram sob seu comando ou impulso e ainda a teia de obras/ empreitadas, etc., que remetem para um outro conjunto de pessoas e empresas que, por estarem envolvidos grandes montantes de dinheiro público também é importante ouvir".

Quanto a documentos, o Chega quer ter acesso ao organograma da PJ durante as direções de Luís Neves, bem como informação relativa a nomeações, renovações, exonerações, distribuição de pelouros e delegações de competências.

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O partido igualmente que seja enviado ao Parlamento informações sobre a operação Pacoba, incluindo um mapa atualizado da localização e situação de todos os bens apreendidos, orçamentos para a destruição de químicos, comunicações (incluindo mensagens) sobre o armazenamento dos químicos.

São pedidos ainda documentos sobre as obras efetuadas pela Construbarcelos nas sedes da PJ e na casa do ministro, o desaparecimento de 'bitcoin' e armas, bens apreendidos que terão sido utilizados por Luís Neves e, ainda, sobre a operação 'Influencer', entre as quais comunicações entre PSP, PJ e Ministério Público.

O Parlamento irá atribuir uma sala reservada para consulta dos documentos com informações mais sensíveis.

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A comissão parlamentar de inquérito para "avaliação da intervenção de Luís Neves enquanto diretor da PJ durante todos os seus mandatos (2018-2026) e eventual responsabilidade de membros do Governo que o nomearam e tutelaram" tomou posse na semana passada.

As próximas reuniões estão agendadas para segunda-feira (de mesa e coordenadores) e para terça-feira (reunião ordinária), duas horas antes do arranque da discussão na generalidade do Orçamento do Estado para 2027. O líder do Chega, André Ventura, preside a este inquérito.

Este inquérito foi forçado pelo Chega na sequência das polémicas que vieram a público nos últimos meses envolvendo Luís Neves, relacionadas com obras numa propriedade do agora ministro feitas por uma empresa que celebrou contratos com a PJ, ou o atrelado com químicos apreendidos numa operação que ficou guardado nas instalações dessa empresa.

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