Cidadãos Por Lisboa querem coligação com PS, Livre, BE e PAN à câmara da capital
Dirigente Paula Marques defendeu "a congregação de esforços" das forças políticas de esquerda.
A associação política Cidadãos Por Lisboa apresentou esta quinta-feira o seu manifesto sobre o que ambiciona para a capital no mandato 2025-2029 e manifestou a vontade de concorrer nas próximas eleições autárquicas em coligação com PS, Livre, BE e PAN.
Em declarações à agência Lusa, a presidente dos Cidadãos Por Lisboa (CPL), Paula Marques, que é também vereadora na Câmara Municipal da capital, disse que o atual cenário político "é desafiador", sobretudo depois de um resultado eleitoral "difícil para os partidos de esquerda" nas legislativas de 18 de maio, com o crescimento do partido de extrema-direita Chega.
Também por isso, a dirigente dos CPL defendeu "a congregação de esforços" das forças políticas de esquerda numa candidatura às próximas eleições autárquicas, que deverão ocorrer entre setembro e outubro.
Essa possível coligação que os CPL pretendem integrar poderá incluir PS, Livre, BE e PAN, assim como "agregar outros movimentos sociais e cívicos", indicou Paula Marques, referindo que, "infelizmente", o PCP não deverá fazer parte, por indisponibilidade do próprio partido.
"A cidade que queremos" é o manifesto dos CPL, apresentado à Lusa pela presidente desta associação política, acompanhada de outros três membros, nomeadamente Miguel Graça (atual deputado municipal), João Afonso (antigo vereador) e André Ferreira (vogal).
O manifesto tem propostas para o mandato 2025-2029, que resultaram do trabalho de auscultação das organizações de base local, mas que se pretende agora "devolver e partilhar com a cidade, como visão coletiva de futuro".
"Não se faz uma cidade sem participação das pessoas", reforçou Paula Marques, apontando como áreas de preocupação o espaço público, a higiene urbana, os transportes públicos, as escolas e a habitação, com problemas que afetam sobretudo as zonas mais periféricas da cidade.
Na área da habitação, os CPL querem, por exemplo, garantir uma quota de 25% de habitação para renda acessível em todas as operações urbanísticas de dimensão relevante e a construção de 5.000 novos fogos de iniciativa municipal para habitação a custos acessíveis.
"Um novo Plano Diretor Municipal que devolva a cidade aos trabalhadores de baixo e médio rendimento, elaborado de forma participada", é uma das propostas na área do Urbanismo, a que se junta a ideia de "impossibilitar novas licenças de alojamento local (AL) em toda a cidade durante o período de quatro anos", assim como estabelecer limites licenciamento hoteleiro e aumentar a taxa turística.
Há também propostas dos CPL para uma cidade onde o ambiente e a mobilidade sejam um direito, onde ninguém fica para trás, com direito à saúde e bem-estar, com a cultura em cada esquina, com investimento no sucesso escolar, que garanta a infoinclusão e acesso a informação vital sobre o concelho, e que seja de governação aberta, transparente e participada.
No âmbito do possível acordo de coligação para as próximas eleições autárquicas, a primeira prioridade dos CPL é "discutir as questões programáticas" com os partidos de esquerda, afirmou a presidente desta associação política.
Nas eleições autárquicas de 2021, os CPL concorreram através da coligação PS/Livre, designada "Mais Lisboa" e liderada pelo até então presidente da câmara Fernando Medina (PS), mas essa candidatura foi derrotada pelos "Novos Tempos" (coligação PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança), encabeçada pelo social-democrata Carlos Moedas, que governa sem maioria absoluta e que ainda não revelou se se recandidatará.
Defendendo "um projeto de mudança", por considerar que a governação de Carlos Moedas tem representado "um retrocesso" para a cidade, a presidente dos CPL indicou que, no caso de se concretizar uma coligação de esquerda, "faz sentido" que quem encabece a candidatura seja o PS, partido que tem como candidata à presidência da Câmara de Lisboa a socialista Alexandra Leitão.
Criados em 2007 pela arquiteta Helena Roseta, os CPL chegaram este ano à maioridade, tendo representação na câmara e na Assembleia Municipal. A atual presidente desta associação política assegurou que há condições para concorrer de forma independente nas próximas eleições autárquicas, considerando o trabalho desenvolvido ao longo de 18 anos, mas reforçou que a conjuntura política impõe o conjugar de esforços.
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