De Costa a ex-ministros do PS, todos os conselhos que Pedro Nuno já ouviu para negociar o Orçamento do Estado
Antigos governantes falam em "viabilizar" o documento e pedem ao PS para não "transformar o Orçamento numa moção de censura".
O secretário-geral do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos, já ouviu conselhos públicos de vários ex-governantes socialistas no sentido de negociar - e porventura viabilizar - o Orçamento do Estado para 2025.
O ex-primeiro-ministro António Costa veio até corroborar uma posição do atual chefe do Executivo, Luís Montenegro, frequentemente acusado pela oposição de estar interessado em eleições antecipadas, quando, em entrevista ao canal Now, em julho, defendeu que "o exercício da responsabilização dos Governos" deve ser "feito pelos instrumentos próprios previstos na Constituição: a moção de censura e a moção de confiança".
O socialista, presidente eleito do Conselho Europeu, lembrou que o "Orçamento do Estado, independentemente de quem governe, é um instrumento essencial ao funcionamento normal do País", razão pela qual "é bom que o país tenha orçamentos do Estado" e "não é desejável" uma governação em duodécimos.
"Nem o Governo deve transformar o Orçamento numa moção de confiança, nem a oposição deve transformar o Orçamento numa moção de censura", sustentou Costa. "Aquilo que é normal nas oposições é não inviabilizarem à partida a existência de um Orçamento, mas predisporem-se a que o Orçamento possa ser viabilizado sem que isso seja entendido como um apoio ao Governo", acrescentou.
Em entrevista ao Negócios, em julho, o ex-ministro da Economia Pedro Siza Vieira considerou "conveniente e importante para o país que o Orçamento do Estado seja aprovado", entendendo que "nenhum dos partidos que está neste momento representado no Parlamento tem interesse" no contrário.
O socialista advertiu que o ciclo do PS na oposição deverá ser "longo", desde que o PSD se concentre em governar e não em "transformar permanentemente o Parlamento num campo de batalha". Mas deixou antever que a redução progressiva do IRC defendida pelo Governo, de 21% para 15%, não vem "facilitar a aprovação da proposta de Orçamento do Estado".
Este sábado, o ex-ministro das Finanças João Leão defendeu que "o PS deve procurar viabilizar" o documento "com algum tipo de negociações".
Em entrevista à SIC, o atual membro do Tribunal de Contas Europeu argumentou que com o Chega "enfraquecido pelo resultado nas europeias" os socialistas têm "mais margem para negociar" com o Governo, recomendando que as negociações possam incidir sobre o IRS Jovem e "tornem a proposta mais equilibrada".
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