"Fascista lunática": Membro da concelhia do Chega na Póvoa de Varzim arrasada pelo filho homossexual
A propósito da revogação da lei que permite a mudança de género.
votação na Assembleia da República esta semana, que levou à revogação da lei que permite a mudança de género em menores, foi o mote para Miguel Salazar voltar a deixar duras acusações à mãe, Maria Helena Costa, presidente da Associação Família Conservadora e membro (e não dirigente) da concelhia do Chega da Póvoa do Varzim, que em 2021 integrou o gabinete de Estudos do Chega - além de ser autora de vários livros sobre ideologia de género - e que, segundo o filho terá estado nas galerias do parlamento a assistir à votação.
Miguel Salazar, que já tinha acusado a mãe, numa entrevista ao portal SetentaeQuatro, de o ter submetido a “terapia” por ser homossexual e de o ter, inclusivamente, agredido, partilhou um duro texto nas redes sociais onde acusa a militante do Chega de ter "diabolizado" a sua existência, descrevendo-a como uma "fascista lunática".
"Por mais que tenha vindo a ignorar a existência de quem me deu à luz - Maria Helena Costa -, percebo que o ódio que a consome não parou no momento em que me libertei de toda a violência desta fascista lunática que vive cada dia para nos atormentar, desde que descobriu que sou gay. Enquanto fui prisioneiro dos seus delírios, dos seus insultos, dos seus estalos e puxões de cabelo, das gritarias das milhentas discussões até às tantas da noite, das suas ameaças de que me bateria, me expulsaria de casa, me proibiria de me relacionar com pessoas LGBTI+ e me cortaria a internet se eu abusasse na defesa da minha dignidade, da sua menorização e diabolização da minha existência, soube que não iria parar em mim", relata Miguel.
O filho da presidente da Associação Família Conservadora da Póvoa de Varzim, recorda que tudo começou "aos 16 anos". Ela achava que eu não tinha idade para me assumir como gay. 'Ele diz que é gay'. Eu só tinha idade para a APAV confirmar ao meu treinador que eu sofria de violência doméstica e para me pré-diagnosticarem, no Centro Gis, com ansiedade e depressão resultantes do ambiente a que a ideóloga do Chega e deputada à Assembleia Municipal da Póvoa de Varzim me submeteu."
Miguel Salazar descreve os livros da mãe como "homofóbicos e transfóbicos sem qualquer respaldo científico estão à venda em praticamente qualquer livraria" e aborda a suposta "paixão" de Maria Helena Costa por Rita Matias (deputada do Chega), que descreve como "a sua miniatura". "Nos dois dias em que se debateu a vida de pessoas trans, ali estava a Maria Helena. Sentada nas galerias da Assembleia da República, sedenta por ver materializada a sua luta pela opressão de quem nunca lhe fez mal, para fazer às pessoas LGBTI+ deste país tão mal ou pior do que o que me fez a mim. Enquanto ali estava, a deputada Rita Matias apontava para ela e para o seu gangue de fanáticos fascistas, descrevendo-os desde a tribuna como 'bons pais' e 'boas mães'."
E prossegue, recordando que chegou a pensar em acabar com a própria vida: "Para a Rita Matias, a Maria Helena Costa é uma boa mãe, mesmo ela tendo conseguido a proeza de me fazer sentir vontade de tirar a minha própria vida, só e apenas porque gosto de rapazes. Uma boa mãe que, quando eu tinha 16 anos, me disse que eu tinha uma doença mortal, que ia acabar na prostituição, que estava possuído por demónios, que ia arder no inferno, entre outras barbaridades pelas quais nunca me pediu desculpa. Mas mais importante para ela do que defender-me e proteger-me, era garantir que não arderá no inferno depois de morrer por aceitar que tem um filho gay."
Miguel admite, por outro lado, que "gostava de poder eliminar" da sua mente "a presidente da Associação Família Conservadora", a cujo casamento terá acontecido "quando era bebé". "Por ser impossível, tenho vindo a ignorar sucessivamente a sua existência e a sua militância odiosa e visceralmente hipócrita, mas o país acabou de recuar graças também aos contributos diretos e indiretos da minha mãe na redação das propostas aprovadas no dia 20 de março. Agora, a vida, a segurança e os direitos humanos das pessoas trans, a quem devo a minha vida, estarão em risco."
Esclarecimento
A SÁBADO recebeu, entretanto, um esclarecimento, assinado por Sónia Vieira de Carvalho, Coordenadora da Concelhia da Póvoa de Varzim, a explicar que "Maria Helena Costa não é dirigente da concelhia da Póvoa de Varzim, mas sim apenas membro da mesma".
Acrescenta ainda que "Miguel Salazar é membro da concelhia do PS da Póvoa de Varzim" e que "os factos invocados pelo filho de Maria Helena Costa serão, inclusive, anteriores à própria formação do partido Chega, o que torna ainda mais incompreensível a associação". "Tal enquadramento não corresponde à realidade e configura uma ligação forçada e descontextualizada."
Mais explica que se "trata, na essência, de uma situação de natureza pessoal e familiar, que deveria ser tratada no foro privado e não exposta publicamente com enquadramentos políticos indevidos. A tentativa de imputar a um partido responsabilidades por vivências familiares individuais revela uma interpretação abusiva e desproporcionada."
"Importa ainda referir que dentro de qualquer partido existem inúmeras realidades familiares diversas, incluindo pessoas com filhos homossexuais, sem que tal tenha qualquer relação com a sua posição política ou com a estrutura partidária. Misturar estes planos é não só incorreto como intelectualmente desonesto", conclui a Coordenadora da Concelhia da Póvoa de Varzim.
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