DURÃO BARROSO ACELERA PRIVATIZAÇÕES ATÉ 2005

O primeiro-ministro anunciou ontem que o Governo vai acelerar o processo de privatizações e avançar com novas operações no decorrer deste ano e até ao primeiro trimestre de 2005. O objectivo, explicou Durão Barroso, é reduzir o peso do Estado. Uma medida que, em sua opinião, constitui um dos pilares essenciais de uma “economia moderna e competitiva”.

28 de fevereiro de 2004 às 00:00
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No decorrer de mais um debate mensal no Parlamento, Durão Barroso revelou então que o Executivo vai avançar com uma nova fase de privatização da EDP, reduzindo a posição directa do Estado até dez por cento. Será também lançada a primeira fase de privatização da Rede Energética Nacional (REN), com a sua colocação em Bolsa, acontecendo o mesmo com a nova fase de privatização da GALP. A Companhia das Lezírias e as Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA) também serão privatizadas. Finalmente, o primeiro-ministro anunciou a colocação no sector privado de parte do capital do Operador do Mercado Ibérico de Electricidade português.

Num discurso bastante optimista quanto à situação económica do País e duramente criticado pela Oposição, Durão Barroso fez questão de lembrar o facto de o défice orçamental ter ficado abaixo dos três por cento. Um resultado fictício, de acordo com os partidos da esquerda, conseguido à custa de receitas extraordinárias, como a venda de titularização de créditos ao Citigroup. Aliás, esta questão causou alguns embaraços ao primeiro-ministro, principalmente quando os deputados Francisco Louçã, do BE, e Elisa Ferreira, do PS, quiseram saber se esta operação constituía um empréstimo bancário ou uma receita fiscal. Uma dúvida que ficou sem resposta até porque essa só será dada pela Comissão Europeia quando, na próxima semana, for conhecido o seu parecer sobre a medida.

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'VERÃO QUENTE' ANIMA DEBATE

Durão Barroso e a Oposição protagonizaram ontem, no Parlamento, momentos que mais fizeram lembrar o chamado ‘Verão quente’ de 1975. As posições assumidas no 11 de Março desse ano, uma tentativa de golpe militar que marcou o início do processo de nacionalização de muitas empresas, foram o mote para uma acesa troca de acusações.

O tema foi lançado pelo primeiro-ministro que, em resposta a Carlos Carvalhas, lembrou que o País já não está em 1975 e garantiu que esteve com o 25 de Abril, mas contra o 11 de Março. Mais tarde, foi a vez do socialista João Cravinho entrar na discussão recordando o apoio dado pelo PSD às nacionalizações, altura em que Barroso, com 18 anos, militava no partido de extrema-esquerda MRPP. Na resposta Barroso lembrou que as suas acções de juventude não tiveram consequências negativas para o País, ao contrário das opções políticas de Cravinho enquanto ministro do Governo provisório chefiado por Vasco Gonçalves.

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