Durão Barroso: "Vejo a eleição de Trump como uma grande oportunidade para a Europa"

Ex-primeiro-ministro diz que Europa tem de fazer o trabalho de casa e não apontar culpados pelas falhas.

30 de junho de 2025 às 21:24
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Durão Barroso foi um dos convidados da conferência da Associação Business Roundtable Portugal (BRP), sob o mote 'Ctrl+Alt+Portugal - Reiniciar para Crescer' , que se realizou na Casa da Música, no Porto. À margem do evento falou sobre o tema que debateu: 'Trump 2.0'. O ex-primeiro-ministro português admitiu que a Europa está a falhar, nomeadamente no que se refere à competitividade e refere que não se pode esconder atrás dos EUA e do seu presidente para justificar os problemas. "Tenho dito muitas vezes, que, em vez, de estarmos a criticar os Estados Unidos, devemos fazer o nosso próprio trabalho de casa. Não pôr a culpa nos EUA, nem no senhor Trump", disse, lembrando que os Estados Unidos são a maior potência mundial e que "a verdade é que o atual presidente está a usar esse poder, projetando-o com grande influência".

No entanto, lembrou ainda que, qualquer país para realizar os seus objetivos precisa de aliados e os EUA não são exceção. Sobre a forma de ultrapassar e contornar os problemas causados pela superioridade americana e pelo comportamento do atual presidente da América, diz que a Europa tem de estar alerta e não ficar parada. "O que devemos fazer é ver isto como um despertador, mas que quando ele tocar, a Europa não toque no botão para parar e ficar a dormir mais um bocadinho. É uma ocasião para nós europeus fazermos o nosso trabalho de casa na Economia, Tecnologia, mas também na Defesa", refere, lembrando que na questão da Defesa Donald Trump tem razão.

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"Aí o presidente Trump tem razão: os europeus viveram muito tempo à sombra dos Estados Unidos", lembrou. Nesse sentido, considera que a Europa deve aproveitar a oportunidade de se afirmar. "Eu vejo a eleição de Trump como uma grande oportunidade para a Europa. De certo modo, Putin e Trump estão a contribuir para unidade da Europa", afirmou.

À margem da conferência - que juntou grandes nomes da panorama mundial da economia, entre eles, o Nobel da Economia de 2024, James A. Robinson -, houve ainda tempo para falar sobre a questão da imigração que tanto tem dado que falar. "Está a tentar-se chegar a um ponto de equiilíbrio, até porque precisamos de imigrantes. Portugal parava se não fossem os imigrantes, mas, ao mesmo tempo, temos de perceber que há limites à capacidade de integração. Como tudo na vida tem de ser feito com equilíbrio", esclareceu.

Sobre este tema, falou também o Ministro da Presidência, António Leitão Amaro, outro dos oradores da conferência. O governante defendeu uma política de imigração mais regulada. Apontou ainda a necessidade de "redirecionar o fluxo para atração de talento mais qualificado" e defendendo que quando se recruta é preciso criar condições para a integração. 

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