Fenprof considera "inaceitável" desresponsabilização do Governo pelo "caos" nos exames
Declarações surgem após atrasos nas correções causados por um conjunto de problemas técnicos.
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) considerou este domingo "inaceitável" a desresponsabilização do Ministério da Educação perante o que considerou o "caos instalado" na preparação dos exames nacionais, após atrasos nas correções causados por um conjunto de problemas técnicos.
Num comunicado, a Fenprof afirmou que continua a receber testemunhos de professores classificadores que "revelam um cenário profundamente preocupante na organização dos exames nacionais" do ensino secundário, como "professores convocados por escolas onde já não exercem funções, docentes aposentados chamados à classificação, professores designados para disciplinas que nunca lecionaram".
"A estas anomalias juntam-se atrasos no envio das provas digitalizadas, respostas incompletas, páginas em falta e um conjunto de problemas técnicos que, segundo diversos classificadores, se repetem de forma generalizada. É particularmente grave que existam relatos de grupos de classificadores em que praticamente ninguém recebeu a totalidade das provas em condições adequadas", relatou o sindicato.
Na nota, a Fenprof disse que, apesar de manter "a sua posição crítica relativamente aos exames nacionais enquanto instrumento de avaliação", defende que, "enquanto existirem, o Estado tem o dever de garantir que decorrem com absoluto rigor, transparência e equidade para todos os alunos, sem exceções".
"O Governo não pode esconder-se atrás de organismos intermédios nem diluir responsabilidades. A desresponsabilização política do Ministério da Educação, Ciência e Inovação perante o que está a acontecer é inaceitável", considerou.
A Fenprof considerou que devem ser prestadas explicações sobre "quem decidiu esta reorganização, quem garantiu que estavam reunidas as condições para a sua implementação e quem assume a responsabilidade pelos graves problemas" que "colocam em causa a confiança num processo decisivo para milhares de alunos".
"Quando uma reforma administrativa ameaça a credibilidade dos exames nacionais, já não estamos perante uma modernização do Estado. Estamos perante um falhanço político que exige explicações, responsabilização e correção imediata", acrescentou, considerando que "a anunciada poupança de dezenas de milhões de euros" no processo "não representa uma reforma", mas "uma degradação do serviço público".
Devido a atrasos na distribuição das credenciais de acesso, o Júri Nacional de Exames do ensino secundário decidiu ajustar o calendário para a correção, mas mantém 10 de julho como prazo final das classificações.
As provas de Português do 12.º ano deveriam começar a ser corrigidas na terça-feira, uma semana depois de os alunos irem a exame, mas as credenciais necessárias para fazer esse trabalho ainda não tinham chegado a todos os professores corretores.
O atraso foi denunciado na quarta-feira e na quinta-feira o Júri Nacional de Exames (JNE) confirmou "a existência de algumas dificuldades técnicas", que se encontravam a ser solucionadas.
Os exames nacionais continuam a realizar-se em papel, mas, pela primeira vez, as provas serão corrigidas em formato digital, trabalho que, no caso da prova de Português, deveria estar concluído até 06 de julho, para que as classificações fossem enviadas ao JNE até 10 de julho.
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