Feto tinha apenas valor económico
A polémica instalou-se no debate sobre o referendo ao aborto. A historiadora Fina d’Armada, mandatária do Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo ‘sim’, afirmou ontem à Lusa que “Deus atribui um mero valor pecuniário ao feto e deixa claro que a vida da mãe é mais importante”. A conclusão é baseada numa edição de 1852 da Bíblia, elaborada pela tipografia Joaquim Germano de Sousa Neves.
O padre Duarte da Cunha, simpatizante da Plataforma Não Obrigada, acusa-a de “desonestidade intelectual”, de retirar citações fora do contexto, recorrendo, para o efeito, ao Antigo Testamento. “Alguém duvida que Deus manda amar a vida desde a sua concepção?”, questiona.
“De acordo com as instruções dadas por Deus a Moisés, quem levar uma mulher a abortar terá de pagar apenas uma indemnização, mas caso a agressão lhe provoque danos o seu autor dará ‘vida por vida, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, pisadura por pisadura”, argumentou a historiadora, citando o Êxodo. A especialista conclui, por isso, que “para Deus a vida da mulher valia outra vida, o feto tinha apenas valor económico”.
Fina d’Armada, licenciada em História em 1970, venceu o Prémio Mulher Investigação Carolina Michaelis Vasconcelos 2005 pelo livro ‘Mulheres Navegantes’. Trabalhou em co-autoria com Joaquim Fernandes na obra ‘As aparições de Fátima e o Fenómeno OVNI’ (1995).
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