Francisco Louçã pede "pés bem assentes na terra" e "persistência de uma formiga"

Fundado do BE e afirmou que "vencer o impossível" foi sempre "a vida" dos bloquistas.

29 de novembro de 2025 às 18:25
Francisco Louçã e Mariana Mortágua Foto: José Sena Goulão/Lusa
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O fundador do BE Francisco Louçã pediu este sábado aos bloquistas "pés bem assentes na terra" e "respostas claras" na defesa do "salário, casa e hospital" e uma maior organização de base com a "persistência de uma formiga".

"Sabemos quem somos: o partido da democracia paritária, somos internacionalistas contra os bárbaros, somos ideia e somos corpo, somos a esquerda moderna a que quer o Portugal maior da liberdade e do socialismo. Mas sobretudo sabemos do que mais precisamos: pés bem assentes na terra. Respostas claras: salário, casa e hospital", apelou Francisco Louçã.

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O fundador bloquista intervinha na 14.ª Convenção Nacional do BE, que decorre no pavilhão municipal do Casal Vistoso, em Lisboa, num dos momentos mais críticos do partido, deixando alguns recados aos presentes, à semelhança do fundador Fernando Rosas, momentos antes.

Louçã apelou a um partido com os "pés bem assentes na terra", "levado pela organização de base no combate para a longa duração", porque "é a persistência da formiga que faz a vida".

 "Só há luta de classes com organização militante, com núcleos de atividade onde se aprende, onde se decide, onde se faz", alertou.

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Os recados continuaram: "Ganhar os jovens e organizar trabalhadores", "fazer crescer movimentos sociais amplos", dar "poder dos núcleos militantes" e "pôr o pé na nossa terra".

 "E essa é a nossa resposta, o nosso recado para o futuro", sublinhou.

Louçã lembrou o legado do BE e afirmou que "vencer o impossível" foi sempre "a vida" dos bloquistas.

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No arranque da sua intervenção, socorreu-se da primeira Utopia Moderna de Thomas More, referindo que a obra "escolheu para protagonista um marinheiro português, Rafael Hitlodeu".

"Perguntava Rafael: "que justiça haverá quando um rico ourives ou usurário que nada fazem têm uma vida agradável, enquanto os pobres trabalhadores, ferreiros, carpinteiros, lavradores fazem o trabalho sem o qual a comunidade não se aguentaria?" A pergunta de Rafael é a mesma que fazemos hoje", afirmou. 

Louçã lembrou que "era impossível vencer a lei que condenava as mulheres à prisão por aborto" e o BE foi "à porta de cada julgamento, venceu o referendo e começou o respeito".

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Também "era impossível vencer a 'troika' e houve um milhão de manifestantes que anunciaram que recuperaríamos salários e pensões", continuou Louçã, recordando que o partido conseguiu impor manuais escolares gratuitos, passes e propinas mais baratas e "uma taxa sobre o imobiliário de luxo que paga pensões", conhecida por "Imposto Mortágua".

"Desvendámos os segredos das fraudes no BCP, no BES, na Energia, na TAP. Um a um, os castelos de cartas, mostrámos como governam os donos de Portugal", recordou.

 "O BE foi sempre o partido mais fundamental para a democratização da democracia portuguesa", salientou.

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Antes, o antigo eurodeputado José Gusmão, que está de saída da Comissão Política, fez uma intervenção com avisos sobre a aproximação do PSD e do CDS-PP "à extrema-direita do Chega", apelidando os dois partidos que suportam o Governo de "chegadinhos" e considerou que apesar do "não é não" já toda a gente já "percebeu que é sim".

 "A esquerda tem que retomar as iniciativas convergentes que soube construir na resposta à troika", defendeu, considerando que é preciso um BE "que seja um espelho da convergência na pluralidade". Para Gusmão, José Manuel Pureza "é a pessoa certa para interpretar este espírito do tempo" porque "sabe ouvir, sabe dialogar e sabe promover diálogos".


 "Não precisamos de pureza, precisamos do Pureza", ironizou.

Seguiu-se depois o discurso do fundador do BE Luís Fazenda que, antes de ter centrado a sua intervenção na guerra na Ucrânia, fez um agradecimento a Mariana Mortágua e desejou força a José Manuel Pureza. 

Fazenda saudou "a inteligência de Marcelo Rebelo de Sousa", que acertou quando disse que "Trump era um agente russo".

 "A NATO é hoje uma organização plástica que não defende os seus interesses", criticou, considerando que o BE se deve envolver na luta pelo desarmamento.


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