Governo cria linha inédita para tradução de excertos e reforça apoio à edição
Apoio prevê um subsídio a fundo perdido até 50% do custo da edição, com um limite máximo de 5 mil euros por obra.
O Governo vai reforçar a internacionalização da literatura portuguesa com uma linha "inédita" de apoio à tradução de excertos, dotada de 30 mil euros, e criar uma linha de apoio à edição, com uma dotação de 50 mil euros.
A Linha de Apoio à Tradução de Excertos de Obras Literárias destina-se a estimular a divulgação internacional de autores portugueses através da tradução de excertos, enquanto a Linha de Apoio à Edição em Portugal apoia a publicação de obras impressas e digitais de autores nacionais, com financiamento até 50% do custo da edição, até ao limite de 5 mil euros por obra.
Estas medidas, que serão executadas pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), foram anunciadas, esta terça-feira, pela ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, no âmbito de uma sessão integrada nas comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões, que contou com a inauguração de duas exposições dedicadas à vida e obra do poeta.
A primeira medida é a Linha de Apoio à Tradução de Excertos de Obras Literárias, que a ministra destaca ser "inédita em Portugal" e que terá periodicidade anual.
Este apoio destina-se a entidades nacionais e estrangeiras, incluindo editoras, agentes literários e tradutores literários profissionais, tendo como objetivo estimular a compra de direitos e a publicação de traduções de autores portugueses.
"Apoiar as escolhas editoriais de vários profissionais do setor com a tradução de excertos de uma obra portuguesa em várias línguas é ampliar a sua divulgação noutros países. Com esta nova linha de apoio, inédita em Portugal, aumentamos o alcance e a representatividade da nossa literatura no plano internacional", afirmou Margarida Balseiro Lopes, citada em comunicado do ministério.
Na mesma altura, a tutela anunciou uma Linha de Apoio à Edição em Portugal, dirigida à publicação de obras impressas e digitais de autores nacionais, com especial enfoque em áreas de menor viabilidade comercial, sendo esta uma forma também de apoiar as livrarias independentes.
O apoio prevê um subsídio a fundo perdido até 50% do custo da edição, com um limite máximo de 5 mil euros por obra.
Esta segunda linha pretende garantir o acesso à cultura, promover a diversidade cultural e preservar a memória coletiva, dando continuidade ao apoio à criação desenvolvido através das bolsas de criação literária.
"Em áreas como novos autores, poesia, ensaio ou património literário, o Estado deve intervir para estimular a publicação de obras que, de outra forma, têm a sua viabilidade comprometida pela lógica de mercado", defendeu a ministra.
Além disso -- considerou -, "uma vez que essas obras com menor potencial comercial constituem o principal acervo das livrarias independentes, o apoio à sua edição é uma forma indireta de apoiar o setor."
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