Governo garante que CP não será desmantelada e terá lucro este ano
"Não vai dar um, nem dois, nem três, nem quatro milhões de euros [de lucro]. Vai dar mais", afirmou Miguel Pinto Luz.
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, afirmou esta quarta-feira no parlamento que a CP vai gerar lucro este ano e rejeitou a ideia de desmantelar a empresa.
"Não vai dar um, nem dois, nem três, nem quatro milhões de euros [de lucro]. Vai dar mais", afirmou, na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação.
Miguel Pinto Luz respondeu ainda a críticas sobre a proposta de subconcessão de linhas suburbanas em Lisboa e no Porto, defendendo que, no modelo defendido por alguns deputados, o Estado "dá a carne aos privados e fica com o osso", ou seja, as partes deficitárias.
“Comigo não se ataca a CP, defende-se a CP”, acrescentou, destacando que a empresa esta quarta-feira ganha prémios, está "robusta" e "oferece serviços como nunca antes", elogiando a administração e os colaboradores pelo trabalho desenvolvido.
Pinto Luz rejeitou alegações dos deputados do PS, durante um debate aceso, sobre a contratação da Deloitte e a eventual adjudicação das subconcessões a operadores estrangeiros, classificando os comentários de “atoardas” e defendendo a seriedade do Governo e da administração.
“Não lhe admito que faça aqui juízo de valor de que vou entregar a A ou B. É a minha seriedade e a minha honra que está em causa e aquilo que está a invocar, que dei ordens para adjudicar a este ou àquele, não é aqui que vou responder”, disse em resposta ao deputado socialista José Carlos Barbosa.
O Governo determinou que a CP apresente, em 90 dias, soluções técnico-jurídicas, financeiras e temporais para a subconcessão de quatro linhas suburbanas — Cascais, Sintra/Azambuja, Sado e Porto — com decisão prevista para o primeiro semestre de 2026.
O ministro sublinhou que estas linhas continuarão a operar sob a marca CP, com gestão da própria administração, garantindo que a empresa pública está protegida e poderá concentrar-se em linhas menos servidas.
“A seu tempo, o Governo vai apresentar o seu modelo”, disse, acrescentando: “Não vamos desmantelar a CP”.
O debate centrou-se também na implementação do passe Ferroviário Verde, cuja criação tem aumentado a procura do serviço. O ministro reforçou a importância do Estado na gestão de serviços públicos essenciais, agradecendo à administração e aos colaboradores da CP pelo esforço em reinventar a empresa, apesar das “poucas condições” e desafios operacionais.
Questionado sobre a proposta de concessões, Pinto Luz reiterou que o Governo quer garantir que o preço dos passes seja “razoável para as famílias” e que o modelo seja sustentável para o operador nacional, defendendo que manter serviços estratégicos sob gestão pública é um objetivo político e económico.
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