"Há um grande cheiro a mofo": Candidato à liderança do PS exige "ar puro" no partido

Daniel Adrião lidera deste 2016 uma sensibilidade minoritária nos órgãos nacionais dos socialistas.

25 de novembro de 2023 às 20:41
Daniel Adrião Foto: Sérgio Azenha
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O candidato à liderança socialista Daniel Adrião defendeu este sábado que é preciso "deixar entrar ar puro" no PS porque "há um grande cheiro a mofo", prometendo "dar vez e voz" aos militantes e construir um partido "de baixo para cima".

Com o objetivo de construir uma "democracia plena", Daniel Adrião apresentou este sábado a sua candidatura a secretário-geral do PS nos jardins da sede nacional do partido, uma corrida pela sucessão de António Costa na qual enfrenta o ex-ministro e deputado Pedro Nuno Santos e o ministro José Luís Carneiro.

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"O país precisa de uma reforma profunda do sistema político-partidário. É hora de repensar o modo como operamos, de abrir as nossas portas a ideias frescas e a uma nova energia", defendeu.

Para o recandidato que lidera deste 2016 uma sensibilidade minoritária nos órgãos nacionais do PS, é preciso "abrir as janelas e deixar entrar ar puro porque há um grande cheiro a mofo na casa e o PS precisa de se oxigenar".

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"Esta é uma candidatura que pretende dar vez e voz aos militantes do PS, feita de gente comum, mas com vontade de contribuir para a construção de uma democracia decente", disse, assegurando que a sua candidatura "puxará o país para cima".

Porque é tempo de focar as atenções não no Terreiro do Paço, mas "nos terreiros do povo", Adrião quer "dar voz aos militantes de base" que considera serem a "voz da sociedade civil no partido" e "selo de garantia democrática".

"É preciso empoderar os militantes e a base social de apoio do PS conferindo-lhes o poder de decisão na escolha de candidatos a titulares de cargos políticos, quer a nível autárquico quer nos candidatos à Assembleia da República", afirmou, defendendo a separação "entre o aparelho de Estado e o aparelho do partido".

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Destacando a necessidade de uma reforma profunda do sistema eleitoral, o candidato a líder do PS alertou que os cidadãos portugueses não votam como a generalidade dos cidadãos europeus, porque em Portugal as listas são "fechadas e bloqueadas" e não permitem eleger diretamente os deputados.

"Os portugueses só têm direito a meio voto. O outro meio voto está nas mãos dos líderes dos partidos", lamentou.

Mas como o país não se esgota na reforma eleitoral e na reforma do sistema político, Adrião elencou ainda a necessidade de responder à emergência na habitação e defendeu um pacto de regime neste setor que permita um "esforço concertado" do privado, público e cooperativo para um programa massivo de construção.

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O candidato a secretário-geral do PS propõe ainda um novo paradigma para o desenvolvimento de Portugal, que é a nova forma do país pagar melhores salários e evitar a fuga de quadros qualificados.

Antes de Daniel Adrião, discursou o mandatário da candidatura, o ator Paulo Matos, que destacou a coerência do candidato e o objetivo de "dar voz a quem não tem voz", dando conta de uma "maioria silenciosa" que quer manifestar as suas posições e quer ser ouvida no partido.

Considerando que a candidatura de Daniel Adrião "já venceu pela sua presença", Paulo Matos referiu uma ideia que tinha sido defendida na véspera por Ricardo Araújo Pereira, num programa na SIC, quando afirmou que gostariam que colocassem Daniel Adrião nas sondagens para ver se ele também ganhava a Luís Montenegro.

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"Estou a disposto a apostar que sim", ironizou o humorista naquele programa.

Daniel Adrião recandidata-se ao cargo de secretário-geral do partido, depois de já o ter feito em 2016, 2018 e 2021, sempre contra António Costa.

Na sequência do último congresso do PS, que se realizou em Faro, no verão de 2021, a sensibilidade socialista liderada por Daniel Adrião elegeu 12% dos membros da Comissão Nacional e 15% da Comissão Política.

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