Habitantes de Granho não votam por falta de médico (COM VÍDEO)

A falta de médico na freguesia levou os habitantes do Granho, em Salvaterra de Magos, a concentrarem-se este domingo frente à escola primária, determinados a protestar não votando.

23 de janeiro de 2011 às 13:02
Boicotes para todos os gostos nas presidenciais Foto: Paulo Novais/Lusa
Boicotes para todos os gostos nas presidenciais Foto: José Coelho/Lusa
Boicotes para todos os gostos nas presidenciais Foto: António José/Lusa
Boicotes para todos os gostos nas presidenciais Foto: Armindo Mendes/Lusa
Boicotes para todos os gostos nas presidenciais Foto: António José/Lusa
Boicotes para todos os gostos nas presidenciais Foto: Luís Forra/Lusa
Boicotes para todos os gostos nas presidenciais Foto: Luís Forra/Lusa

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A mesa de voto abriu e os três votantes que, até ao meio dia, decidiram exercer o direito de voto não foram impedidos de entrar, mas tiveram de ouvir a indignação de quem estava à porta. "São ricos, podem pagar o médico particular", desabafou uma das moradoras, enquanto outros gritavam o seu protesto contra "quem não precisa" do posto a funcionar.

O posto de saúde do Granho, construído há 30 anos em terrenos dados pela população, e alvo de obras em 2007, segundo o presidente da junta de freguesia, Joaquim Ventura, está sem médico e sem enfermeira desde Outubro.  Apesar das garantias dadas pela coordenadora do Agrupamento de Centros de Saúde de que está à procura de uma solução, a população acredita que a intenção é fechar, até porque a funcionária que vem às quartas-feiras "buscar as receitas" terá recebido ordens para deixar de vir a partir de 1 de Fevereiro, disse Joaquim Ventura à agência Lusa.

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"A malta está aqui para protestar não contra o voto, mas sim para mostrar o seu desagrado pelo posto médico que nos estão a roubar", afirmou, sublinhando que os "papéizinhos" a apelar à abstenção foram colocados nas caixas do correio na noite de segunda para terça-feira.

Isabel Santos, viúva, não arreda da entrada do portão da escola. "Tenho uma filha deficiente. Ela precisa de médico e não apanho", disse  à Lusa, sublinhando que os 200 euros que ganha não chegam para pagar os 70 a 75 euros de consulta de um médico particular. Isabel espera que o protesto de hoje ajude a resolver um problema para  o qual não encontra solução, já que garante que não consegue arranjar consulta.

Segundo Joaquim Ventura, a alternativa dada à população - a ida ao posto da Glória do Ribatejo, a cerca de 12 quilómetros, das 14h00 às 15h00 às quintas-feiras - não tem funcionado.  "Em quatro meses só houve cinco consultas. Outros vão e vêm e não apanham consulta", assegurou.

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