"Infantil dizer que não temos empatia": Montenegro acusa professores de perturbarem avaliação dos exames nacionais

Primeiro-ministro disse que importa questionar se o Governo "está a decidir bem ou mal", "apesar da complexidade e da dificuldade do processo".

15 de julho de 2026 às 00:38
Luís Montenegro Foto: Rodrigo Antunes/Lusa
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O primeiro-ministro, Luís Montenegro, acusou na noite desta terça-feira os professores de "perturbarem o processo" dos exames nacionais, durante um discurso para os militantes do PSD em Setúbal. Isto, no mesmo dia que o ministro da Educação estendeu o prazo da correção das provas por mais um dia, até esta quarta-feira, 15, após vários relatos de professores que ainda estão a receber "cem ou mais" itens de correção.

Perante uma plateia atenta, o governante começou por reconhecer que o processo de correção dos exames nacionais é "um desafio elevado", admitindo que este "entronca com a tecnologia, hábitos e procedimentos", o que acaba por gerar, naturalmente, "algumas resistências".

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A recusa da "falta de empatia"

O momento de maior tensão no discurso surgiu quando o primeiro-ministro abordou as críticas sobre a postura do executivo face aos docentes. Sem esconder o incómodo, classificou como "infantil" a acusação de que o Governo carece de empatia ou sensibilidade para se colocar no lugar dos professores e das famílias.

"Não vale a pena irmos por aí, mas se quiserem ir por aí, não há problema, podemos confrontar experiências", afirmou, desafiando implicitamente os críticos e os sindicatos. Embora tenha sublinhado que diz isto "sem acusar ninguém", o primeiro-ministro não deixou de notar que, enquanto a grande maioria dos professores, no seu entender, está "alinhada com o passo" que "o Governo está a dar", a resistência de outros acaba por "perturbar o processo", gerando inquietude em toda a comunidade escolar.

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Defesa da transformação digital

O cerne da argumentação de Montenegro centrou-se na dicotomia entre manter o status quo ou avançar para uma mudança estrutural. "A questão é se, apesar da complexidade e da dificuldade do processo, estamos a decidir bem ou mal", disse.

O governante reiterou a aposta do executivo na digitalização numa transformação que, segundo defende, trará "mais transparência, rapidez e fidedignidade", servindo como motor para potenciar a capacidade de todos os envolvidos no sistema educativo. "Estamos aqui para responder com toda a humildade e convicção", assegurou Luís Montenegro.

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