Líder do CDS recusa acordo com Sócrates
"Não me parece que se devam colocar os 78 mil milhões de euros que a ajuda externa dá a Portugal nas mãos daquele que é o político responsável pelo estado a que chegámos." Foi assim que o líder do CDS-PP afastou ontem a possibilidade de um acordo pós-eleitoral com o secretário-geral do PS, José Sócrates.<br/><br/>
No frente-a-frente conduzido por Judite Sousa, na TVI, o líder centrista sustentou: "Não entendo que se deva colocar a gerir esse dinheiro quem apenas soube gastar mais, desperdiçar mais." Ou seja, a nível de coligações, Portas foi claro: "Mantenho com coerência o que sempre disse ao longo do tempo [...]. Pedi-lhe há um ano que saísse." José Sócrates, por seu turno, renovou a tese de "abertura" com os restantes partidos políticos porque, considerou, "o País precisa de um Governo maioritário no Parlamento".
No âmbito do pedido de ajuda externa, Portas acusou o adversário de "viver na estratosfera", depois de o primeiro-ministro demissionário defender que a ajuda "só se pede no limite" e de recusar que este pedido deveria ter sido feito há mais tempo. Sócrates insistiu ainda que a crise do País surgiu em linha com "uma profunda crise internacional". Mas Portas contrapôs com um gráfico, que indica que a dívida pública subiu mais em Portugal do que em países como Espanha, França ou Itália. Sobre o programa definido pela troika, o secretário-geral dos socialistas considerou ser um "bom acordo negociado pelo Governo" e sublinhou que "todas as medidas constavam do PEC", chumbado pela oposição.
A compra dos dois submarinos serviu para aquecer o debate, com o líder do CDS a referir que os submersíveis significam "0,5% do problema na subida da dívida" do País. Mas o secretário-geral dos socialistas atirou: "Foi você que os comprou, mas eu é que os paguei."
Quanto ao TGV, Sócrates garantiu que a linha que ligará Lisboa a Madrid vai avançar, até porque "o contrato está feito e financiado com spreads baixos".
POUCA CONVERSA DENTRO DO ESTÚDIO
Já dentro dos estúdios, os dois adversários distribuíram papéis na mesa e Paulo Portas ainda olhou duas vezes para o relógio para verificar as últimas notas num caderno vermelho-escuro que guarda sempre no bolso do casaco. Pouco conversou com José Sócrates.
PRIMEIRO-MINISTRO CRITICADO PELO FT
Um colunista do jornal britânico ‘Financial Times’ (FT) acusou o primeiro-ministro português, José Sócrates, de se "preocupar apenas com o seu quintalinho" e de ter mentido ao País quando anunciou o acordo com a troika. Wolfgang Munchau diz que a comunicação de José Sócrates foi um "alerta trágico-cómico" da crise na Europa. O colunista diz ainda que "não se pode gerir uma união monetária com governantes como Sócrates".
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