Líder do PCP desafia Governo a retirar proposta laboral para evitar greve geral
À margem de uma visita à feira agropecuária Ovibeja, Paulo Raimundo argumentou que "ninguém tem interesse em fazer greve, a não ser para derrotar o pacote laboral".
O líder do PCP, Paulo Raimundo, desafiou este sábado o Governo a ter coragem para retirar a proposta de reforma laboral antes da greve geral de 03 de junho convocada pela CGTP como 'fórmula' para evitar a paralisação.
"Eu acho que todos os trabalhadores estavam interessados em que o Governo tivesse a coragem de retirar o pacote laboral antes da greve do dia 03 de junho", afirmou o secretário-geral comunista, em declarações aos jornalistas, em Beja.
À margem de uma visita à feira agropecuária Ovibeja, Paulo Raimundo argumentou que "ninguém tem interesse em fazer greve, a não ser para derrotar o pacote laboral".
Por isso, lançou um repto ao Governo, que implica deixar cair o pacote laboral: "Se não houver matéria, não há matéria para a greve."
Paulo Raimundo lançou este desafio mesmo depois de o primeiro-ministro, Luís Montenegro, ter dito na sexta-feira em Melgaço, no distrito de Viana do Castelo, que o Governo "não abandona as suas convicções" em matéria laboral.
O chefe do Governo garantiu que "já cedeu em todas as traves mestras" desta reforma e acusou a central sindical UGT de ser o parceiro "com menos cedências".
Sobre a possibilidade de deixar cair o pacote laboral, como também tinha sugerido na sexta-feira o líder do PS, José Luís Carneiro, Montenegro disse que, sem entendimento na concertação social, a última palavra sobre o pacote laboral "será sempre do parlamento", vincando que "se há uma coisa que o Governo não faz é abandonar as suas convicções".
Nas declarações aos jornalistas na feira Ovibeja, o secretário-geral do PCP, além de criticar "o aumento brutal do custo de vida" no país, considerou que a proposta de alteração do código laboral apresentada pelo Governo "é a machadada em cima da desgraça".
Com a proposta, segundo Raimundo, o Governo PSD/CDS-PP quer dizer, sobretudo para os jovens, que "a precariedade passa a ser o normal, a instabilidade é o dia-a-dia, podem ser despedidos de um dia para o outro sem justa causa, o horário, independentemente de ter filhos ou não ter filhos, é para desregular, é para trabalhar à borla".
"Convenhamos, isto não serve em momento nenhum, muito menos agora. Não é por acaso que, do ponto de vista dos trabalhadores e da sociedade em geral, há um profundo não a este pacote laboral", afiançou.
E o Governo, continuou, "pode teimar, pode fazer as manobras que quiser, pode até tentar arranjar os apoios que quiser na Assembleia da República, que isto não vai ter concretização possível".
O dirigente reiterou que o executivo liderado por Luís Montenegro pensava que "isto ia ser uma passadeira vermelha", mas "a greve geral de 11 de dezembro travou essa passadeira" e "o Governo começou a tropeçar nesse obstáculo".
"Ora, só que o tropeço do Governo não chega. O que chega é retirar o pacote laboral", defendeu. Questionado pelos jornalistas sobre declarações do primeiro-ministro de que quem faz greve é uma minoria, Paulo Raimundo disse que essa afirmação "é de uma arrogância tão profunda, tão profunda, tão profunda".
"As arrogâncias dessa dimensão... o que acontece sempre é rebentarem nas mãos de quem o diz. E é o que vai acontecer", vaticinou. A 42.ª edição da feira agropecuária Ovibeja, que arrancou na quarta-feira, termina no domingo.
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