Líder do PS critica falta de respostas do Governo para custo de vida e habitação

José Luís Carneiro frisou que os socialistas vão procurar, "a cada proposta apresentada, mostrar onde se podem ir buscar os recursos para financiar essas propostas".

24 de outubro de 2026 às 19:11
José Luís Carneiro, secretário-geral do PS Foto: José Coelho/Lusa
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O líder do PS criticou este sábado, em Coimbra, a falta de respostas do primeiro-ministro e do Governo às necessidades dos portugueses relativas ao custo de vida e à emergência no setor da habitação.

"O primeiro-ministro e os vários elementos do Governo, que têm responsabilidades diretas e indiretas na resposta ao custo de vida e à habitação, devem explicar ao país porque é que tardam em responder de forma adequada às necessidades relativas ao custo de vida, mas também o modo como pretendem responder à habitação", disse José Luís Carneiro.

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O secretário-geral do PS falava aos jornalistas à entrada para uma reunião com militantes socialistas de Coimbra sobre o Orçamento do Estado para 2027.

Na altura, o líder socialista garantiu que o partido vai apresentar medidas para responder ao custo de vida das famílias, das empresas e das instituições, mas procurando garantir a sustentabilidade das finanças públicas.

José Luís Carneiro frisou que os socialistas vão procurar, "a cada proposta apresentada, mostrar onde se podem ir buscar os recursos para financiar essas propostas".

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Sobre a emergência que o país vive na habitação, o líder do PS insistiu que o Governo deve "colocar na gaveta" a nova lei do arrendamento, "porque as pessoas já perceberam que esta é uma lei que vai facilitar os despejos".

"Numa altura destas, em que o país não está a mostrar capacidade de responder com a construção de nova habitação e a colocação no mercado de mais habitações, facilitar os despejos é criar uma insegurança imensa nos mais jovens e nas famílias das classes médias e também nos mais idosos", defendeu.

O dirigente revelou que, recentemente, numa oferta de habitação na Junta de Freguesia de Benfica, em Lisboa, concorrem 6.000 pessoas para 70 casas, das quais 40% viviam em casa partilhada com família, "mas, mais surpreendente, é que vivem em casas partilhadas com pessoas estranhas".

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"Isto mostra bem a dificuldade que as pessoas estão a passar. Outro indicador é que um em cada cinco jovens vivem em casas partilhadas, número que aumentou em mais de 18%", referiu.

O secretário-geral dos socialistas rejeitou também responsabilidades de anteriores governos do PS no setor da habitação e do arrendamento, salientando que procuraram "fazer face à lei Cristas, no período de assistência financeira ('troika')".

"Foi uma lei que desregulou o mercado completamente. Estamos de acordo que era preciso atualizar as rendas por forma a que os proprietários possam conservar o seu património, mas o que se fez foi passar do oito ao oitenta sem qualquer tipo de regulação, numa altura em que avançaram com os vistos 'gold' e o estatuto de residente não habitual", disse.

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Salientando que se juntou "a fome com a vontade de comer", José Luís Carneiro invocou a vinda de "fundos internacionais especulativos que se alojaram nas cidades" e defendeu que "é preciso garantir condições para regular a especulação imobiliária".

Por outro lado, acrescentou, é "preciso reconhecer que foi a partir de 2018 que se avançou com uma lei relativa à habitação no país (Estratégia Local de Habitação), que foi contratualizada com os municípios".

O dirigente socialista defendeu ainda que, neste momento "de emergência", é necessário um novo quadro normativo para os municípios poderem responder com celeridade os processos de licenciamento de habitação e ao modo como se identifica solos disponíveis para a construção.

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