Líder do PS diz que presidente do IHRU foi "infeliz" mas não pede demissão
Benjamim Pereira admitiu que as expressões que utilizou sobre a capacidade de sacrifício dos jovens foram infelizes, esclarecendo que não teve intenção de desvalorizar as dificuldades na habitação ou sugerir a emigração.
O líder do PS, José Luís Carneiro remeteu esta sexta-feira para o primeiro-ministro uma eventual demissão do presidente do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), reconhecendo, todavia, que as declarações de Benjamim Pereira foram infelizes.
"Ele próprio se retratou dando conta de que eram palavras infelizes. Já nos tinha chegado aquela frase relativa ao egoísmo dos jovens da responsabilidade do primeiro-ministro. Temos agora o responsável do IHRU, que em vez de se concentrar naquilo que tem de se concentrar, vem considerar que os mais jovens têm de fazer sacrifícios", criticou o líder socialista em declarações à entrada para o plenário de esclarecimento sobre o Orçamento do Estado para 2027, que decorreu esta noite em Ermesinde, concelho de Valongo,
Numa sessão sobre a proposta do Plano Diretor Municipal de Gaia, na quinta-feira, o presidente do IHRU referiu não saber se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício da anterior, recordando que os próprios avós e o pai emigraram para ter uma casa.
Nesse mesmo dia, e numa entrevista ao Jornal Nacional da TVI, o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, considerou infelizes essas declarações e revelou já ter pedido explicações.
Já esta sexta-feira, Benjamim Pereira admitiu que as expressões que utilizou sobre a capacidade de sacrifício dos jovens foram infelizes, esclarecendo que não teve intenção de desvalorizar as dificuldades na habitação ou sugerir a emigração.
O PCP, o Livre e o PAN pediram hoje a audição parlamentar do presidente do IHRU, considerando que as suas declarações foram inaceitáveis e infelizes, enquanto o BE insistiu que Benjamim Pereira deve demitir-se.
Alertando que "os jovens já fazem muitos sacrifícios, porque estão a viver até mais tarde na casa dos seus pais, porque não conseguirem ter maior autonomia de vida e autonomia para realizar os seus projetos de vida", o deputado recorreu aos números hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para destacar que "no segundo trimestre deste ano, o aumento com habitação ultrapassou os 18%, o que significa que desde que este Governo está em funções, houve um aumento do custo com habitação superior a 41%".
"Além disto, foi este Governo que trouxe o conceito da renda moderada de 2.300 euros, que provocou uma aceleração dos custos com arrendamento em 34% no país. Mais grave, houve um aumento em 18% do número de jovens que hoje estão a viver em casas partilhadas, ou seja, um em cada cinco jovens está a viver em casas partilhadas", continuou José Luís Carneiro.
O dirigente garantiu o compromisso de "tudo fazer" para encontrarem soluções, propostas, para responderem, com "confiança, no futuro, na defesa do Serviço Nacional de Habitação Acessível, na garantia de condições para o arrendamento, para que os jovens possam entrar no arrendamento, para que as famílias das classes médias possam entrar no arrendamento, para que proprietários e inquilinos tenham confiança na proposta" que o PS apresentou.
"Na conversa que tivemos ainda há dias com a nossa coordenadora do programa [Luísa Salgueiro], com a Associação Portuguesa de Bancos e com a Associação Nacional de Seguradoras, nos transmitiram que estavam disponíveis para viabilizar e para apoiar essa proposta, porque consideraram essa proposta a única proposta que equilibra a vontade dos proprietários com também a segurança dos inquilinos", revelou.
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