Livre questiona Governo sobre contratação pela Lusa de empresa com ligação familiar a gabinete de ministro

Lusa celebrou, por ajuste direto, um contrato de consultoria de comunicação com a empresa Miguel Guedes GMT, Lda. no valor de 16.200 euros por um período de seis meses.

09 de junho de 2026 às 12:27
Ministro da Presidência, António Leitão Amaro Foto: Manuel de Almeida/Lusa
Partilhar

O Livre questionou esta terça-feira o Governo sobre a contratação pela agência Lusa de uma empresa de consultoria que terá ligações familiares a um elemento do gabinete do ministro da Presidência, governante que tutela a comunicação social.

Numa pergunta dirigida ao ministério tutelado por António Leitão Amaro, a bancada do Livre cita uma notícia da revista Sábado na qual se lê que a agência Lusa celebrou, por ajuste direto, um contrato de consultoria de comunicação com a empresa Miguel Guedes GMT, Lda. no valor de 16.200 euros por um período de seis meses, no âmbito das comemorações dos 40 anos da Lusa.

Pub

"A mesma notícia refere que a empresa em causa terá ligações familiares a um elemento do gabinete do Ministro da Presidência, António Leitão Amaro, membro do Governo que tutela a comunicação social e, por conseguinte, a Lusa. A notícia acrescenta ainda que as partes envolvidas negam conhecimento ou intervenção indevida no processo de contratação", escrevem os deputados do Livre.

Neste contexto, a bancada liderada por Isabel Mendes Lopes argumenta que importa perceber "em que condições foi tomada a decisão de contratar, se houve avaliação prévia de eventuais incompatibilidades ou conflitos de interesse, e que critérios objetivos justificaram a opção pelo ajuste direto".

"Sendo a Lusa uma agência noticiosa de referência e uma entidade sob tutela governamental, qualquer contratação com ligações próximas a membros do gabinete ministerial merece o mais rigoroso escrutínio público, não apenas pela substância do contrato, mas também pela perceção de independência institucional que dela decorre", justificam.

Pub

O Livre refere que a questão assume "ainda maior relevância num contexto em que foi feita a aquisição da totalidade do capital da Lusa e em que o Governo tem feito declarações públicas sobre o papel, a governação e a orientação estratégica" da agência.

"É precisamente por isso que situações com esta natureza devem ser esclarecidas com total transparência, de modo a afastar qualquer dúvida sobre favorecimento, proximidade indevida ou condicionamento político, real ou percecionado, na gestão de uma entidade essencial ao pluralismo informativo e ao funcionamento democrático", acrescentam os deputados.

O Livre questiona se o Governo confirma que a Lusa celebrou, por ajuste direto, um contrato de consultoria de comunicação com a empresa Miguel Guedes GMT, Lda., no âmbito das comemorações dos 40 anos da agência e se a tutela tinha "conhecimento prévio desta contratação".

Pub

"Em caso afirmativo, em que momento e através de que membros ou serviços da tutela?", pergunta o Livre.

O Livre quer ainda saber se foi avaliada a "existência de eventuais conflitos de interesses, ligações familiares ou relações profissionais suscetíveis de afetar a perceção de imparcialidade da contratação" e se foram consultados outros prestadores de serviços ou analisadas propostas alternativas antes da adjudicação.

Por último, o partido pergunta se o ajuste direto em causa tem alguma ligação com o gabinete do ministro da Presidência.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar