Louçã mantém confiança em Ana Cristina Ribeiro

Francisco Louçã, coordenador da comissão política do Bloco de Esquerda, considera que a presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos não deve suspender o mandato, apesar de ter sido constituída arguida, por suspeita do crime de corrupção. Questionado pelo CM, Louçã diz mesmo que “não há comparação possível” com o caso de Lisboa e que Ana Cristina Ribeiro tem a confiança política dos bloquistas. “Com certeza”, respondeu o líder do BE, perante os dados de que dispõe.

08 de fevereiro de 2007 às 00:00
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Ontem, 12 elementos da Direcção Central de Combate ao Crime Económico e Financeiro da PJ (DCICCEF) fizeram buscas à única autarquia liderada pelo BE.

Segundo um comunicado da Câmara de Salvaterra de Magos, a PJ esteve no edíficio da Câmara com “o objectivo de proceder à recolha de alguns elementos relativos a processos das secções de contabilidade, urbanismo, pessoal e expediente geral”.

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Diz ainda o comunicado que, no “procedimento” de ontem, nenhum autarca ou funcionário da Câmara foi constituído arguido. As buscas, que começaram às 10h00 e terminaram às 16h00, incluíram residências de alguns autarcas.

Na origem do processo está uma queixa feita em 2004 pelo proprietário do bar M-Club, em Marinhais, segundo a agência Lusa. O munícipe alegou que estava a ser perseguido pela autarca, uma vez que Ana Cristina Ribeiro o impedia de abrir o estabelecimento apesar de, alega, ter tudo em ordem.

Nas buscas de ontem, a PJ recolheu documentação diversa, a maioria proveniente do Departamento de Obras Particulares, procurando confirmar eventuais benefícios pessoais por parte da autarca.

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Em declarações ao CM, Francisco Louçã considera que “é muito importante que se investigue” e que “a polícia faça o seu trabalho”, encarando a investigação na autarquia ribatejana com “normalidade”.

Louçã acrescenta que “se há denúncia anónima, o que a Polícia Judiciária tem de fazer é investigar” e que todos os autarcas têm “de prestar contas”.

“Estamos absolutamente tranquilos”, assegurou, recordando que já em 2005 Ana Cristina Ribeiro foi constituída arguida, em vésperas de eleições autárquicas, por alegada suspeita de crime por denegação de Justiça, juntamente com um militar da GNR. O processo foi arquivado.

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Questionado sobre se não teme ser acusado de ter dois pesos e duas medidas em relação a Salvaterra de Magos ou a Lisboa, Louçã diz que não: “O caso de Lisboa é uma situação muito difícil e a posição do BE incide apenas numa avaliação política.” O coordenador do BE salienta também que os autarcas que sejam constituídos arguidos não têm de suspender os mandatos, depende caso a caso.

Do lado do CDS-PP, o secretário-geral do partido, Martim Borges de Freitas, exortou Louçã a “agir” neste caso.

Ana Cristina Ribeiro, 52 anos, solteira, é natural de Salvaterra de Magos. Com formação em Análises Clínicas, a única presidente de câmara eleita nas listas do Bloco de Esquerda não tem filiação partidária. Ligada à autarquia de Salvaterra de Magos desde 1993, a autarca cumpre o terceiro mandato como edil, o segundo com o símbolo do BE. Sportinguista, gosta de António Variações. O livro de cabeceira é: ‘O Triunfo dos Porcos’, de George Orwell.

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