Marcelo descreve Papa Leão XIV como "superiormente inteligente" e "muito racional"
Presidente da República reuniu com o Sumo Pontífice no Vaticano, esta segunda-feira.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, descreveu esta segunda-feira o Papa Leão XIV, com quem se reuniu no Vaticano, como "superiormente inteligente" e "muito racional", com "concisão da palavra".
"É um estilo de Papa completamente diferente do Papa Francisco. O Papa Francisco era mais discursivo, se quiserem, mais emotivo, mais efusivo e, portanto, mais longo. Aqui temos um Papa americano, muito racional, ideias muito organizadas, fala curto", comentou o chefe de Estado aos jornalistas.
Em declarações na Embaixada de Portugal junto da Santa Sé, pouco depois da audiência com o Papa Leão XIV, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que os dois falaram sobre a situação política portuguesa, sobre a Europa e o mundo, incluindo os Estados Unidos da América e o Presidente norte-americano, Donald Trump.
"Falou-se tudo isso, claro. Mas eu agora não posso estar a contar. Eu posso dizer os temas que tratámos, mas não posso contar a conversa", ressalvou.
Interrogado se a posição do Papa está alinhada com a sua, o Presidente da República respondeu: "Eu acho que está alinhada com todos os que estão preocupados com vários aspetos da situação internacional atual: instabilidade, imprevisibilidade, guerra, consequências sociais e económicas".
Sobre o convite que fez formalmente ao Papa para visitar Portugal em 2027, por ocasião do 110.º aniversário de Fátima, Marcelo Rebelo de Sousa não quis "antecipar o que Papa decidirá", mas revelou que ficou "com esperança" que essa visita se concretize.
O Presidente da República contou que durante a conversa com o Papa, em inglês, que durou 25 minutos, teve oportunidade de explicar "a situação política portuguesa" e como está a decorrer o atual "período eleitoral" para a escolha do seu sucessor, no domingo.
Os dois falaram também sobre a situação económica e social de Portugal e dos efeitos da passagem da tempestade Kristin, que deixou um rasto de destruição, sobretudo nos distritos de Leiria, Coimbra e Santarém.
"Eu agradeci-lhe muito a carta [que o Papa dirigiu aos portugueses] e ele exprimiu a sua bênção especial para todos os que sofreram e para as comunidades em geral, surpreendido por serem tantos municípios a serem atingidos", relatou.
O chefe de Estado disse que o Papa "quis saber alguns pormenores" sobre o que pretende fazer quando terminar o seu mandato presidencial, em 09 de março, e que "concordou perfeitamente" com a sua ideia de percorrer as escolas e se dedicar ao ensino dos alunos mais novos.
Entre os temas abordados na audiência desta segunda-feira estiveram ainda "a situação europeia, a guerra na Ucrânia", e os países de língua oficial portuguesa, tendo Marcelo Rebelo de Sousa mencionado que o Papa "pode ir a um deles, a Angola" e "acompanha muito perto a situação" de Moçambique.
"Depois o mundo, como é que está o mundo, a situação económica, a situação política, as perspetivas, as organizações internacionais. Portanto, tudo isso foi visto", completou o Presidente da República.
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, só foi possível tratar de tantos temas e "muito variados" porque o Papa Leão XIV "é de facto uma cabeça extraordinária, de precisão matemática, de concisão da palavra e de gestão do silêncio".
"Imaginam a rapidez que é preciso para tratar tantos temas, só com uma pessoa superiormente inteligente, muito racional, muito organizada de pensamento e com uma grande precisão na condução da conversa", reforçou.
Questionado se falaram dos abusos sexuais na Igreja Católica em Portugal, o Presidente da República não deu uma resposta direta. Salientou que esse foi um tema "tratado várias vezes com o Papa Francisco" e que espera que neste momento esteja a conhecer "uma resolução justa relativamente a quem sofreu essas situações".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt