Marcelo diz que UE manifestou abertura para "estudar fórmulas" de ajudar Portugal com prejuízos do mau tempo
Visita a Bruxelas foi a última viagem de Marcelo Rebelo de Sousa enquanto Presidente da República.
O Presidente da República disse esta sexta-feira que falou, a pedido do primeiro-ministro, com vários líderes europeus em Bruxelas sobre as tempestades que assolaram Portugal, tendo encontrado uma "abertura muito grande" na UE para estudar fórmulas de ajudar o país.
Em declarações aos jornalistas no final de uma visita a Bruxelas onde se encontrou com os presidentes do Conselho Europeu, da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu, Marcelo Rebelo de Sousa disse ter havido uma "receção muito positiva por parte das instituições europeias" quanto à ideia de que as tempestades que assolaram Portugal tiveram um "caráter extraordinário".
"Não tem a ver com as cheias tradicionais, não tem a ver com os fogos que tivemos, não tem a ver com outras situações diferentes para as quais há fundos previstos. Não, é diferente, há qualquer coisa de asiático, de fenómeno, naquele momento inicial, mais parecido com outro tipo de quase furacões ou ciclones", referiu.
Marcelo disse que falou sobre este tema a pedido do primeiro-ministro e, questionado se notou alguma abertura da parte das instituições europeias para haver uma ajuda extraordinária a Portugal devido a estas tempestades, Marcelo disse ter encontrado "uma grande abertura a compreender bem a realidade portuguesa".
"Houve uma abertura muito grande para compreender, uma abertura muito grande para, em função dessa compreensão, estudar a matéria e ver onde é que a UE pode encontrar fórmulas de ajudar numa situação tão diferente como aquela que nós vivemos", referiu.
Sobre o resto da visita a Bruxelas, Marcelo saudou o facto de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ter anunciado hoje que vai proceder com a aplicação provisória do acordo comercial com o Mercosul, salientando que é "um gesto e uma decisão de força política".
Nesta que deverá ter sido a sua última deslocação ao estrangeiro enquanto Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado se há alguma viagem ao estrangeiro que fez no cargo que considera inesquecível.
"Todas, todas. Na mais pequena viagem, eu encontrei histórias únicas, eu tenho uma boa memória, alunos que não via há que tempos, amigos dos meus pais, pessoas que eu conheci em Moçambique, pessoas que eu conheci na infância", respondeu.
O Presidente da República disse ainda ter tido a sorte de ter "uma longa conversa com a Rainha de Inglaterra, ter a última conversa que Fidel Castro teve antes de morrer com um político" e ter "tido encontros muito especiais como o Papa Francisco".
"Eu apanhei uma geração de presidentes e primeiros-ministros. Depois eles passaram, eu continuei e depois apanhei outra geração, depois outra geração e depois outra geração. Portanto, são tantas experiências... Como tenho boa memória, guardo para mim, conto uma ou outra aos meus netos, mas não escrevo", afirmou.
Marcelo vai cessar funções em 9 de março, data em que o novo Presidente da República, António José Seguro, tomará posse perante a Assembleia da República.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt