Marcelo garante que a sua "atuação cívico-política" vai terminar quando cessar funções

Marcelo Rebelo de Sousa destacou que a sua geração via na Europa "um sonho enorme", que conseguiu que fosse cumprido.

27 de fevereiro de 2026 às 18:05
Marcelo Rebelo de Sousa está em Bruxelas pela última vez enquanto chefe de Estado Foto: Olivier Matthys/Lusa
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O Presidente da República garantiu esta sexta-feira que, quando cessar funções, em 09 de março, também vai concluir a sua "atuação cívico política", afirmando que termina agora a "história que tinha a escrever".

"Eu termino agora a história que tinha a escrever. É uma coincidência terminar o mandato e terminar a atuação cívico política. Faz-se também civismo e política de outra maneira, em atuações educativas, sociais, culturais... Bom, mas política pura terminada", garantiu Marcelo Rebelo de Sousa.

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O Presidente da República discursava na Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia, em Bruxelas, numa receção aos funcionários portugueses nas instituições europeias, onde chegou acompanhado pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Perante cerca de 700 funcionários portugueses nas instituições europeias, entre os quais a comissária Maria Luís Albuquerque e a Provedora de Justiça da UE, Teresa Anjinho, Marcelo Rebelo de Sousa destacou que a sua geração via na Europa "um sonho enorme", que conseguiu que fosse cumprido.

"Agora, o resto da história é escrito por vós", referiu, afirmando que têm pela frente um "futuro enorme" e pedindo-lhes que não "desaproveitem a ocasião" e "assumam a responsabilidade" de continuar a construir a Europa.

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"A minha geração assumiu e venceu. Assumimos e vencemos. Não vencemos tudo o que queríamos (...), mas vencemos coisas essenciais. Agora está nas vossas mãos vencerem guerras ainda mais difíceis, que é pegarem nestes ideais e nunca os deixarem morrer", afirmou, frisando que as vitórias nunca são adquiridas indefinidamente.

"Cabe-vos, cada dia, pensar se estamos a ganhar ou a perder a guerra. Não há empates. Em matéria de realização de ideais, não há empates. Empatar é estar a perder", avisou.

Neste discurso, de cerca de meia hora, feito em tom bem-humorado, Marcelo Rebelo de Sousa gracejou ainda que está "perto do fim do percurso da vida" enquanto António Costa anda "com um ar de quem vai gozar a vida duradouramente".

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"É difícil assim não ser otimista irritante. Comparativamente, é uma vantagem enorme", disse, provocando risos.

Marcelo Rebelo de Sousa frisou que os portugueses que trabalham hoje nas instituições europeias "são de um Portugal universal", saudando a influência que o país adquiriu na Europa e no mundo, designadamente aos cargos relevantes que personalidades nacionais ocupam ou ocuparam.

"Nenhum outro país não fundador das comunidades europeias teve um presidente do Conselho Europeu, um presidente da Comissão Europeia, uma Provedora de Justiça Europeia, vários comissários -- como a prestigiada comissária que aqui temos --, um presidente do Eurogrupo, um vice-presidente do Banco Central Europeu, um presidente do Comité das Regiões. E eu podia multiplicar os exemplos", elencou.

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No caso de António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa considerou ser "uma ironia de destino" que tenha sido eleito presidente do Conselho Europeu após oito anos de trabalho conjunto em Lisboa que teve como uma "das componentes fundamentais a Europa".

"É uma boa ironia para a qual ambos trabalhámos, cada um do seu lado, e Deus escreve direito por linhas direitas e por linhas tortas, pelas mais variadas linhas, mas o que é facto é que as linhas convergiram neste sentido fundamental, que é: neste momento, aqui estamos juntos a mostrar a importância de Portugal na Europa", referiu.

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