"A história não se repete": Marcelo contraria Cavaco sobre eleições antecipadas

Presidente da República pede "realismo" e alerta para "direita multifacetada" no novo quadro parlamentar.

28 de junho de 2024 às 13:21
Marcelo Rebelo de Sousa Foto: URS FLUEELER/ REUTERS
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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, contrariou esta sexta-feira a sugestão de eleições legislativas antecipadas deixada pelo antecessor, Aníbal Cavaco Silva, num artigo de opinião publicado no jornal Expresso.

O ex-chefe de Estado e ex-primeiro-ministro Cavaco Silva elencou as prioridades para "Portugal dar um importante salto em frente em matéria de bem estar das famílias e aproximar-se dos países mais ricos da União Europeia" nos próximos dez anos: "o crescimento da produção interna, da produtividade e da competitividade externa". 

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Cumprir esses desígnios depende "sobretudo do quadro político", argumentou. As duas únicas vias encontradas por Cavaco Silva para esse "salto em frente" são "um Governo com apoio maioritário na Assembleia da República na sequência da realização de eleições legislativas, antecipadas ou não", ou um Executivo minoritário na condição de os "partidos extremistas" perderem "peso" e de se estabelecerem "pactos de regime" com a oposição.

O atual chefe de Estado começou por recusar comentar "declarações dos antecessores", mas acabou por salientar as diferenças entre os tempos atuais e o tempo em que Cavaco Silva foi primeiro-ministro. "A história não se repete. A história hoje não é igual a 1985. Em 1985 havia um Governo minoritário, nós não tínhamos as regras europeias - ainda não tínhamos entrado nas comunidades europeias -, muito menos estas regras europeias, não tínhamos PRR nem Portugal 2030 para cumprir", disse Marcelo.

Prosseguindo com os alertas, contrapôs o sistema partidário de 1985, em que "o PS estava partido, com o crescimento do PRD [Partido Renovador Democrático]", ao atual, caracterizado por "uma direita multifacetada". E sublinhou: "As soluções que em teoria funcionam num determinado momento não funcionam necessariamente noutro momento. Sejamos realistas".

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Os argumentos em nome da estabilidade são vários, segundo Marcelo. "A taxa de inflação desceu, as previsões de crescimento estão a caminhar bem, a taxa de desemprego e o emprego criado estão em números que, em termos europeus, são bons, a balança comercial melhorou", enumerou. "Numa Europa com problemas de crescimento em países importantes, Portugal está a aguentar-se bem, apesar da substituição do Governo e das crises políticas", defendeu o chefe de Estado. 

Marcelo diz que recusa "especular sobre os anos seguintes" - lembrando que "2025 e 2026 anos eleitorais" - e insiste na necessidade de "que o Orçamento possa passar daqui por quatro meses". Quanto aos "acordos de regime", considera-os "sempre necessários", com Governos de maioria ou de minoria.

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