Marcelo pede audição antes de interferir
Chefe de Estado admite exercer magistratura de influência caso não exista consenso.
A polémica está instalada em torno da nomeação do novo chefe das secretas. O Presidente da República até admite exercer influência e, a partir dos Açores, onde está em visita oficial, deixa recados.
Questionado sobre a escolha de José Júlio Pereira Gomes para o SIRP - Sistema de Informação da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa começou por dizer que "não tem competência para intervir". Destacou que o processo "passa pelo parlamento e pelo Governo" e inclui audições. Mas, sublinhou: "Se for chamado a intervir de modo discreto, significa que estaríamos no domínio do magistério de influência".
Pereira Gomes foi indicado pelo Governo para chefiar as secretas, mas o nome não é consensual (ver caixa). O diplomata é acusado de ter abandonado Timor contra indicações de Lisboa à época do referendo.
Catarina Martins, do BE, pediu ao Governo para "reconsiderar" a escolha. Já o PCP rejeita precipitações. "É importante que em sede de Assembleia da República haja o aclaramento e transparência necessárias", disse Jerónimo de Sousa.
O primeiro-ministro mantém a confiança no diplomata. "Foi o que me levou a convidá-lo", disse ontem, na Covilhã.
SAIBA MAIS
1999
Ano em que o governo indonésio realizou um referendo sobre o futuro de Timor-Leste. O referendo, de 30 de agosto, deu uma clara maioria (78,5%) a favor da independência e rejeitou a autonomia (21,5%).
Pereira Gomes
Pereira Gomes foi secretário de Estado da Defesa no primeiro governo de António Guterres. Mais recentemente foi nomeado por Passos Coelho embaixador português em Estocolmo. Foi diplomata na República Checa e em Genebra.
"Não inspira confiança e autoridade"
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