MEGA-RUSGA NA AMADORA

A Polícia Judiciária garante que não há qualquer acção investigatória concertada que tenha por alvo as autarquias.

15 de outubro de 2004 às 00:00
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Mas a verdade é que depois da Madeira, em que um presidente de Câmara do PSD da Região Autónoma ficou em prisão preventiva, chegou a vez do Continente, com uma ‘visita’ ontem das forças policiais à Câmara da Amadora, como refere o comunicado da edilidade. Mas segundo adiantou fonte policial poderão já ter sido constituídos vários arguidos.

A autarquia de que é presidente o socialista Joaquim Raposo começou a ser vistoriada logo ao início da manhã, numa operação de grande envergadura controlada pela Direcção Central de Investigação e Combate ao Crime Económico e Financeiro.

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Foram mais de cem inspectores em buscas simultâneas que abrangeram não apenas a autarquia mas também habitações e empresas, todas elas com ligações mais ou menos estreitas com a Câmara Municipal da Amadora.

Segundo fonte da PJ, a operação decorreu em colaboração com a Direcção Central de Investigação e Acção Penal – um departamento da Procuradoria-Geral da República vocacionado para a criminalidade mais complexa e organizada e com abrangência a nível nacional, o que poderá significar que as acções ontem desencadeadas terão continuidade um pouco por todo o País.

As suspeitas abrangem os crimes de corrupção, mas também o favorecimento pessoal e o tráfico de influências, questões que poderão vir a ser clarificadas com os materiais apreendidos pela PJ, entre os quais constam váriada documentação.

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Informações não confirmadas referem também a apreensão de computadores, mas uma fonte policial referiu que “poderá ter ocorrido apenas a consulta dos meios informáticos”, embora seja certo que muito material em papel, inclusive documentos camarários, foi levado pela Polícia Judiciária.

As investigações da PJ vão prosseguir, mas mantendo a colaboração estreita com a DCIAP.

COMUNICADO DA AUTARQUIA

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A autarquia emitiu ontem um comunicado do qual extraímos as partes mais significativas: “A Câmara Municipal da Amadora (CMA) recebeu hoje, dia 14 de Outubro de 2004, a visita de uma equipa da Polícia Judiciária que solicitou à autarquia um conjunto de elementos que foram de imediato facultados (...).

A CMA não receia qualquer investigação, porque quem não deve não teme. (...) Recusamos o entendimento de coincidências temporais entre esta investigação e uma campanha eleitoral para as eleições autárquicas que está a começar.

A CMA entende que todas as instituições em Portugal, judiciais e outras, funcionam independentemente de outros factores que não sejam a busca da verdade e da transparência. (...).”

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OITAVO ANDAR

Ao que o CM apurou, a Polícia Judiciária terá efectuado buscas no oitavo andar do edifício - andar onde se situa o gabinete do presidente e o arquivo dos processos camarários.

OPERAÇÃO

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A operação foi desencadeada entre as 7h00 e as 21h00 de ontem e as buscas foram em simultâneo, para garantir o factor surpresa, como é habitual em qualquer acção policial.

PARTIDOS

Uma outra vertente da investigação da PJ e do DCIAP poderá incidir sobre o financiamento partidário, dado por algumas empresas a praticamente todas as forças políticas.

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