Miguel Albuquerque afirma que portugueses querem um Governo com estabilidade
Presidente do Governo da Madeira defende que é preciso acabar com a "histeria justicialista" e os "populismos que andam aí à solta".
O presidente do Governo da Madeira (PSD/CDS-PP), o social-democrata Miguel Albuquerque, considera, a propósito das legislativas de domingo, que os portugueses querem um executivo estável para acabar com a "histeria justicialista" e os "populismos que andam aí à solta".
"As minhas expectativas são que esta maioria [referência à coligação PSD/CDS-PP] ganhe as eleições, forme um Governo com estabilidade, que é isso que os portugueses querem. Os portugueses, neste momento, querem é um Governo que governe e que se acabe esta histeria justicialista e estes populismos que andam aí à solta da extrema-esquerda e da extrema-direita", disse, numa entrevista à agência Lusa, no Funchal.
Para o governante insular, também líder do PSD/Madeira, é preciso assumir que "é fundamental o país ter um Governo para governar ao longo de uma legislatura".
Miguel Albuquerque sublinhou que, antes da queda do executivo do social-democrata Luís Montenegro, Portugal tinha já passado pela queda do Governo de António Costa (PS), no final de 2023, o que também provocou eleições.
"Só com estabilidade política e uma maioria a governar é que é possível ter previsibilidade", insistiu, defendendo a afirmação de "uma linha de rumo" para Portugal, até porque "ninguém faz um investimento relevante no país se não souber aquilo que se vai passar nos próximos tempos", ou seja, perante uma imprevisibilidade política.
"Estamos em Governo de gestão e isso não é bom para o país, e parece que estamos um pouco desligados da realidade europeia. Estamos aqui a olhar para o nosso cantinho, quando há talvez a maior mudança geopolítica desde o pós-guerra", salientou.
Miguel Albuquerque argumentou que a Europa se confronta agora "com grandes desafios que vão alterar completamente as políticas, designadamente no quadro da segurança, da defesa, do atraso tecnológico".
Na sua opinião, "Portugal, sendo um país atlântico, mas sendo um país europeu, tem de se posicionar nesta nova conjuntura e tem de ter uma linha de rumo", sendo necessário ter em atenção que "o que se passa no exterior, na política externa ou na conjuntura europeia e na conjuntura mundial, afeta direta e indiretamente uma pequena economia" como a portuguesa.
Questionado sobre o facto de muitas vezes adotar uma postura crítica e de confronto no relacionamento com os órgãos da República, o chefe do executivo do arquipélago respondeu que, "como português, tem de ser crítico" e ter "um olhar realista sobre a conjuntura política".
"E, depois de olharmos, temos de dizer aquilo que é a verdade. Se estão a correr mal dizemos, se estão a correr bem também dizemos. Portanto, essa ideia de que vamos transformar a política num processo de condicionar aquilo que dizemos com medo de pisar ovos ou de ofender este ou aquele não faz sentido", concluiu.
O círculo eleitoral da Madeira elege seis deputados para a Assembleia da República e na legislatura que agora termina a região esteve representada por três deputados do PSD, dois do PS e um do Chega.
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