Ministra diz que investimento em energia nuclear "não faz sentido" em Portugal

Maria da Graça Carvalho referiu que a aposta na energia nuclear será importante para países que têm "menos sol, menos vento e menos hídrica" do que Portugal.

10 de março de 2026 às 22:11
Ministra diz que investimento em energia nuclear "não faz sentido" em Portugal Foto: Tiago Petinga/Lusa_EPA
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A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, afirmou esta terça-feira que o investimento em energia nuclear "não faz sentido" em Portugal, sublinhando que a aposta deve continuar a ser nas renováveis.

Em declarações aos jornalistas em Guimarães, à margem da sessão de apresentação da Capital Verde Europeia, Maria da Graça Carvalho referiu que a aposta na energia nuclear será importante para países que têm "menos sol, menos vento e menos hídrica" e, portanto, menor potencial renovável.

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"Para a energia nuclear, é preciso um investimento inicial bastante elevado, que, portanto, no nosso caso não faz sentido. Nós temos muito potencial renovável, já o investimos e, portanto, a nossa aposta deverá ser nas renováveis", referiu.

A presidente da Comissão Europeia anunciou esta terça-feira uma garantia de 200 milhões de euros para apoiar investimento privado em tecnologias nucleares inovadoras, visando evitar "as vulnerabilidades" verificadas com a importação de gás e petróleo do Médio Oriente.

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"Precisamos de mobilizar investimento e hoje posso anunciar que criaremos uma garantia de 200 milhões de euros para apoiar o investimento privado em tecnologias nucleares inovadoras. Os recursos virão do Sistema de Comércio de Emissões [para] não só reduzirmos o risco dos investimentos nestas tecnologias de baixo carbono, como também queremos enviar um sinal claro para que outros investidores se juntem", declarou Ursula von der Leyen.

Para Maria da Graça Carvalho, a aposta no nuclear faz sentido em países, nomeadamente do centro da Europa, "que têm menos sol, terão menos vento, menos hídrica e, portanto, têm menor potencial renovável".

"E aí resta-lhes o carvão, que já muitos abandonaram porque tem muita poluição, muita emissão de CO2, o gás, que está neste momento num preço muito elevado e muito dependente da Rússia e dos países do Médio Oriente, ou o nuclear, uma tecnologia cara mas limpa do ponto de vista de CO2. Depois do investimento feito, o preço da energia é baixo, mas é preciso um investimento inicial bastante elevado", referiu.

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Destacou que Portugal fez uma "grande aposta" nas renováveis, o que lhe confere competitividade e uma boa perfomance em termos de independência energética.

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