Ministro da Administração Interna pede aos jornalistas respeito pelo seu trabalho
Luís Neves reiterou que falará aos jornalistas "no momento próprio, onde colocarão todas as questões".
O ministro da Administração Interna pediu esta sexta-feira aos jornalistas respeito pelo seu trabalho e reiterou que, a seu tempo, presta esclarecimentos sobre as obras numa sua casa e do atrelado encontrado na empresa do construtor que fez os trabalhos.
"Já disse, na terça-feira, que o meu respeito pelo escrutínio e pelo vosso trabalho é total. Mas também já disse que, no meu tempo, irei esclarecer, ponto por ponto, todas as questões que têm vindo a ser noticiadas, com toda a transparência, em todos os locais em que seja necessário", afirmou aos jornalistas Luís Neves, em Pedrógão Grande (Leiria), onde preside à sessão solene do Dia do Município.
Numa breve declaração, Luís Neves reiterou que falará aos jornalistas "no momento próprio, onde colocarão todas as questões", pedindo que respeitem o seu trabalho.
"Por isso, gostaria que respeitassem o meu trabalho. Aqui estou a fazer uma homenagem aos pedroguenses, que têm sido uma população de gente resiliente, que passou por uma tragédia e está a procurar reconstruir-se", adiantou.
O governante garantiu que, neste momento, "o foco é na esfera da segurança interna, é sobretudo apoio e suporte a todas as estruturas que combatem os incêndios", que, refere, tem "acompanhado diariamente com os autarcas".
"Por isso, peço o vosso respeito pelo meu trabalho, pela ação governativa na Administração Interna. Estou muito focado em que possamos fazer este trabalho", declarou, insistindo: "Peço-vos, da mesma forma que vos respeitamos, e eu respeito há muitos anos, também respeitem o meu trabalho".
Questionado se há alguma data para uma eventual conferência de imprensa e se vai ser ainda este mês, respondeu. "Quando houver, terão todos conhecimento".
Na terça-feira, Luís Neves disse estar a reunir os documentos que considera importantes no âmbito das polémicas que têm sido conhecidas ao longos das últimas semanas, relativas às obras da sua casa em Odemira e do atrelado encontrado em casa do construtor que trabalhou na sua propriedade.
Na sexta-feira passada, a Polícia Judiciária (PJ) anunciou que abriu um inquérito sobre o atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna.
No mesmo dia, a Procuradoria-geral da República (PGR) confirmou "a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado 'Operação Pacoba'".
A polémica teve início no dia 10 de julho, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira uma empresa anteriormente responsável por obras na PJ quando Luís Neves era diretor nacional.
Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado dias depois pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.
Já na semana passada, a Câmara de Odemira disse que está a verificar a legalidade das obras realizadas no imóvel particular de Luís Neves, na freguesia de São Teotónio.
Em resposta por escrito a questões colocadas pela agência Lusa, o município esclareceu que "não está em curso qualquer processo de licenciamento ou comunicação de obras nos prédios" localizados na freguesia de São Teotónio.
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