Ministro da Educação diz que "Governo não tem relatório nenhum" sobre teste piloto do exame de Filosofia

Ex-presidente do Júri Nacional de Exames acusou o ministro de não ter solicitado "ao JNE qualquer balanço sobre a prova Filosofia".

21 de julho de 2026 às 14:07
Ministro Fernando Alexandre Foto: António Cotrim/Lusa
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O ministro da Educação disse esta terça-feira que "o Governo não tem relatório nenhum" sobre o projeto-piloto de digitalização dos exames nacionais de Filosofia realizados no ano passado, acusando o ex-presidente do Júri Nacional de Exames de nunca o ter entregue.

"O Governo não tem relatório nenhum", afirmou esta terça-feira o ministro da Educação, Fernando Alexandre, durante uma audição parlamentar pedida pelos grupos parlamentares do PCP e do Livre no âmbito dos problemas detetados durante o processo de digitalização dos exames nacionais do ensino secundário.

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A declaração de Fernando Alexandre surgiu na sequência de uma entrevista à Radio Renascença do ex-presidente do Júri Nacional dos Exames (JNE), Luís Duque de Almeida, na qual acusou o ministro de não ter solicitado "ao JNE qualquer balanço sobre a prova Filosofia", questionando em que se baseou a tutela para decidir avançar com o processo de digitalização das provas.

Os "erros graves" detetados durante o processo de digitalização das provas de Filosofia não chegaram ao conhecimento da tutela", segundo o ministro, que disse esta terça-feira que Luís Duque de Almeida "não deixou relatório nenhum".

"Se tinha informação - que não partilhou nem sequer com a Direção Geral da Educação nem com o EduQa -, se tinha essa informação e não a transmitiu, vai ter que explicar isso, porque não deu essa informação a ninguém. Foi-se embora em setembro e não deixou relatório a ninguém", acusou.

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Para Fernando Alexandre, "se agora, passado um ano, depois de o processo ter tido problemas vem dizer que houve problemas que podiam ter sido antecipados e que não foram [...] vai ter de explicar isso".

O ministro voltou na audição a defender o modelo testado este ano e que envolveu cerca de 300 mil exames do 11.º e 12.º anos.

Uma hora antes, o presidente do EduQa esteve na mesma comissão a pedido do PCP e também abordou a polémica, começando por estranhar as declarações do ex-presidente do JNE, e garantindo que "houve articulação" entre as diferenças entidades.

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"O antigo presidente do JNE cessou as suas funções em setembro, não percebo qual é o fundamento que ele tem para dizer que não houve articulação. Ainda para mais, o JNE pertencia à Direção-Geral de Educação, que pertence agora ao EduQa, a articulação é óbvia e necessária e houve essa articulação", garantiu o presidente do EduQa, Luís Pereira dos Santos, durante a audição parlamentar.

Sobre os erros detetados no piloto do exame de Filosofia, Luís Pereira dos Santos disse que foram detetadas "algumas dificuldades" que "serviram para melhorar esse processo".

O presidente do EduQa revelou ainda que houve "uma dificuldade técnica informática na plataforma" feita pela equipa do EduQa.

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Já na fase final da audição, mais de três horas depois da declaração do ministro, o secretário de estado da Educação revelou que "não houve um relatório formal do projeto piloto", mas os serviços tinham "informação sobre como correu o piloto".

Alexandre Homem de Cristo acrescentou ainda que "o piloto foi globalmente positivo", apesar de tal "não significar que não haja espaço para melhorias".

"Passámos a última semana a ouvir falar de um relatório que teria sido ignorado e que expunha riscos operacionais que teriam sido deliberadamente postos na gaveta para poder avançar de forma irresponsável com um processo de forma política", acrescentou Alexandre Homem Cristo.

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Perante as declarações do ministro, várias bancadas questionaram a equipa ministerial sobre como tinham decidido avançar com a digitalização dos exames do ensino secundário.

A deputada comunista Paula Santos quis saber como foi tomada a decisão de avançar para o alargamento da digitalização dos exames se o Ministério não teve acesso ao relatório.

Também no final da audição, em declarações aos jornalistas, a líder da Iniciativa Liberal questionou a forma de atuação do ministério.

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