“Moção de confiança seria irresponsabilidade”(C/VÍDEO)

Aguiar-Branco, candidato à liderança do PSD, considera que seria uma irresponsabilidade total o Governo apresentar uma moção de confiança e afirma que não tem medo do presidente do Governo Regional da Madeira.

21 de fevereiro de 2010 às 00:30
“Moção de confiança seria irresponsabilidade”(C/VÍDEO) Foto: Sérgio Lemos
Partilhar

Correio da Manhã/Rádio Clube – Ficou magoado com Paulo Rangel?

 

Pub

Aguiar-Branco – Os estados de alma prefiro-os guardar para mim e acho que politicamente não é relevante.

ARF –A atitude é relevante.

- Mas o estado de alma que referiu, se fiquei ou não magoado, é irrelevante para mim.

Pub

ND – Alguma vez falou com Paulo Rangel sobre a liderança do PSD?

- Falámos sobre esta matéria cerca de três semanas antes. Agora quanto ao conteúdo das conversas particulares agradeço que respeitem a privacidade.

ARF – É o candidato desta direcção ou não?

Pub

- Eu sou um candidato próprio, a minha candidatura está acima de sensibilidades, não tenho uma visão tribal do partido. Eu costumo dizer que há quem esteja para mudar, quem esteja para romper, eu estou para unir.

ARF – É o candidato da unidade? É da situação?

- O PSD é o contrário de estar unido. O principal problema nos últimos anos é a de ter menos capacidade de estar unido e mostrar para fora que é capaz também de unir os portugueses. E os portugueses estão cansados de quatro, cinco anos de crispação deste Governo socialista. Tem sido uma constante guerra civil.

Pub

ARF – O Governo está em crise, o primeiro-ministro está em crise, já cheira a poder no PSD? Acha que é capaz de ser uma alternativa a curto prazo?

- A unidade do PSD não se esgota dentro do partido. É preciso que os portugueses vejam que tem capacidade para se afirmar na governação de Portugal.

ARF – Também defende um pacto entre o PS e PSD para vários anos, como Marcelo Rebelo de Sousa?

Pub

- Marcelo Rebelo de Sousa referiu que era importante uma convergência que assegurasse a consolidação das contas públicas até 2013 e eu aí respondo com muita facilidade: um PSD liderado por mim saberá sempre pôr em primeiro lugar o interesse nacional e o sentido de Estado. Convergiremos sempre que o interesse nacional o reclame.

ARF – Já foi ministro da Justiça. O que é que propõe para a Justiça e Educação se for líder do PSD? Que rupturas pretende fazer?

-  Não gosto da palavra ruptura, pressupõe uma exclusão de alguém. Mas sobre isso teremos outras oportunidades para falar sobre isso.

Pub

ARF – Não gosta de rupturas. Isso quer dizer que consigo não vai haver afastamentos no PSD, como aconteceu com esta direcção?

- Não, pelo contrário. O partido precisa que todos os seus quadros dêem o melhor pelo PSD e pelo País.

ND – Falámos em Justiça e Educação. Vão ser essas as suas bandeiras?

Pub

- Mais importante que bandeiras são causas. Mas neste momento há uma matéria muito premente que é o desemprego. As questões estruturantes são muito importantes, mas não são a prioridade imediata. E isto tem a ver com o modelo económico que com o PSD seria completamente diferente do que o do PS.

ARF – Este modelo está esgotado?

- Absolutamente. É um modelo que não acredita nas pessoas, nas empresas, na iniciativa privada.

Pub

ARF- As pessoas percebem cada vez menos que o PSD não diga claramente que Sócrates já não tem condições para ser primeiro-ministro.

- Temos de enquadrar as nossas intervenções na lógica democrática. O Governo ganhou as eleições, tem legitimidade democrática, deve aplicar o seu programa e começar a governar. A prioridade é a situação económica e financeira. A situação obriga a ter uma atitude de responsabilidade muito grande.

ARF – Há uma realidade política que não se pode ignorar. E se o Governo apresentar uma moção de confiança o que é que acha que o PSD deve fazer?

Pub

- Se o fizesse agora era de uma irresponsabilidade tal que os portugueses iriam com certeza penalizar o Governo. Seria uma total falta de sentido de Estado.

ARF – E se for a seguir ao Orçamento de Estado e ao Programa de Estabilidade e Crescimento?

- Logo veremos. Não me pauto por critérios de oportunidade, eu pauto-me por critérios de interesse nacional.

Pub

ARF – Se acontecerem eleições no Verão acha que o PSD está preparado para as vencer?

- Não tenho qualquer receio que haja um acto eleitoral seja ele quando acontecer.

ND – O PSD está forte?

Pub

- O PSD vai sair forte seguramente depois deste acto eleitoral.

ND – Não o assusta um cenário de eleições antecipadas?

- Não me assusta nada.

Pub

ARF – Acha que José Sócrates tem condições para ser primeiro-ministro de Portugal?

- Achava que era importante para o País que o primeiro-ministro clarificasse de uma vez por todas esta situação e que permitisse por via disso que os portugueses acreditassem no Governo e no primeiro-ministro.

ND – Porque é que o PSD não ganhou as eleições?

Pub

- Porque os portugueses não quiseram.

ND – Não foi por culpa do PSD?

- Nós apresentámos todos os pontos que estão hoje na actualidade.

Pub

ARF – Foi tudo asfixiado pela asfixia democrática?

- Tudo bem. Mas o PSD teve razão nas linhas de orientação.

ND – Mas não conseguiu passar a mensagem?

Pub

- Não conseguiu. Cometemos erros com certeza.

ARF – Mas insistia na asfixia democrática se fosse líder?

- Estamos a conhecer hoje situações embaraçosas para a liberdade de expressão em Portugal e que aconteceu ao longo dos últimos anos. Significa que também aí o PSD não andou longe da verdade.

Pub

ARF – Mas punha isso na agenda ou não em eleições antecipadas?

- Sabe que o primeiro problema que os portugueses sentem é o desemprego, o segundo é a segurança, o terceiro é a educação, o quarto são as questões sociais. É disto que temos de falar aos portugueses. Agora, é muito grave que vivemos num País em que a liberdade de expressão está condicionada.

ARF – Concorda com a redução dos ordenados dos políticos? Seria um sinal importante?

Pub

- Eu acho, por exemplo, que era interessante que quando houve um aumento em 2009 de 2,9 por cento, e que o ministro das Finanças já afirmou que se tinha enganado, foi uma medida eleitoralista, que houvesse agora uma devolução por parte da classe política desse montante.

ARF – Acha que o Estado deve ter as golden shares em empresas, como a PT?

- Não. Por princípio acho que é importante romper com a promiscuidade entre o público e o privado. Aconselharia que as golden shares deixassem de existir.

Pub

ND – Em todos os sectores?

- Em princípio sim.

ARF – Acha que o Estado deve ter uma televisão, como a RTP?

Pub

- Admito que a RTP caminhe para a privatização.

ND – Considera-se um liberal?

- Sou social-democrata.

Pub

ARF – O que é que vai ser este congresso antes das directas? Vale a pena?

- O doutor Pedro Santana Lopes pode ter dado um contributo importante para que no futuro tenhamos a situação estatutária que reúna o bom do congresso e o bom das directas. Um congresso antes das directas, sem lógica electiva, em que os candidatos apresentam as suas propostas é importante e permite unir os militantes.

ARF – Tem medo do doutor Alberto João Jardim?

Pub

- Não tenho nenhum. Por amor de Deus.

ARF – Vai ficar condicionado pelas posições de João Jardim?

- Não. Não fico condicionado. O doutor Alberto João Jardim é um militante histórico do PSD, tem provas dadas como presidente regional da Madeira.

Pub

ARF – Mas subscreve as suas posições ou também é crítico de algumas delas?

- Em relação ao doutor Alberto João Jardim como em relação a qualquer outro dirigente do PSD mantenho autonomia, independência e liberdade. Há momentos em que concordei, há momentos em que discordei.

ND – É uma mais valia para o PSD ou é um problema?

Pub

- Como é que não pode ser uma mais valia alguém que ganha eleições há tantos anos na Madeira? Isso é uma mais valia.

ND – Não ficou melindrado com os comentários que João Jardim fez sobre a qualidade dos candidatos?

- Não. Porque tem direito a essa opinião, como eu também o tenho. Se me perguntar se eu me revejo no seu estilo eu digo que não. Mas acho que isso é saudável. Como também não me revejo em algumas afirmações que faz. Como ele também não gosta das minhas. Isso não implica quebra de solidariedade.

Pub

ND – Admite desistir?

- Nunca. Vou até às urnas.

ARF – Como é que vê a actuação do procurador-geral da República no caso ‘Face Oculta’?

Pub

- O senhor procurador-geral da República tem contribuído mais para confundir do que para esclarecer toda esta demissão.

ARF – Os despachos do procurador foram tornados públicos. O que é que acha disso?

- Não gostei nada de ver isso.

Pub

ARF – Não acha que se devia demitir?

- Antes da oposição se pronunciar sobre isso deve ser o Governo e a Presidência da República a pronunciarem-se sobre isso.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar