Montenegro aperta Pedro Nuno e ganha apoio de Cavaco

Presidente do PSD aproveita 41.º Congresso para responder ao candidato à liderança do PS sobre um eventual entendimento com o Chega.

26 de novembro de 2023 às 01:30
Aníbal Cavaco Silva e Luís Montenegro Foto: António Pedro Santos/Lusa
Maria Luís Albuquerque Foto: ANTÓNIO PEDRO SANTOS / lusa_epa
Campos Ferreira fala em “abada” no PS
Paulo Rangel a discursar
Pedro Nuno Santos insiste em colar o Chega ao PSD Foto: HUGO DELGADO / lusa
Mariana Mortágua Foto: cmtv

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“Deus nos livre de ter um radical à frente do Governo. Deus nos livre de ter uma nova ‘geringonça’ para nos levar para a cauda da Europa”. Foi desta forma que Luís Montenegro respondeu no sábado, logo no arranque do 41.º Congresso do PSD, ao ataque lançado na véspera por Pedro Nuno Santos, que voltou a acenar o fantasma do Chega, caso os sociais-democratas vençam as eleições de 10 de março sem maioria absoluta e necessitem do seu apoio. O candidato à liderança do PS considerou o partido de André Ventura como “aliado não assumido” do PSD e apontou o dedo a Montenegro que, disse, nunca contestou a aliança do PSD nos Açores. Menos de 24 horas depois, o líder laranja encostou o ex-ministro das Infraestruturas de António Costa a André Ventura, no que ao radicalismo diz respeito. “Nem de propósito realizamos este congresso neste 25 de Novembro, quando o País vai ter novamente a oportunidade de dizer não ao ‘gonçalvismo’, hoje adornado numa versão moderna que se batizou como ‘geringonça’”, disse Montenegro. Ora, para o presidente do PSD, Pedro Nuno Santos é o “mais fanático defensor do ‘gonçalvismo’”, associado à extrema-esquerda.

A surpresa do congresso estava reservada para pouco antes das 20h00, quando Cavaco Silva entrou no pavilhão de Almada ao lado de Montenegro, antes do discurso de encerramento, recebendo a maior ovação da noite e sentando-se na primeira fila ao lado de Manuela Ferreira Leite e Leonor Beleza.

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À saída, o ex-Presidente da República afirmou estar “profundamente convicto de que Portugal precisa de mudar”, acrescentando: “Vim para ouvir e não para dar lições a ninguém.” Também presentes estiveram Paulo Rangel, Maria Luís Albuquerque (ex-ministra das Finanças), e Campos Ferreira, que anteviu “uma abada no PS a 10 de março”.

"Combateremos sempre o Chega e o PSD" 

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O candidato a secretário-geral socialista Pedro Nuno Santos acusou o PSD de não ser “de confiança”, com o Chega como “aliado não assumido”, exortando Luís Montenegro a deixar de “enganar os portugueses”.

“Aquilo que o PSD nos mostra hoje é que não são de confiança (...) Fizeram um acordo [nos Açores] e voltarão a fazer um acordo se precisarem dele [Chega] para governar. Não vale a pena continuar a enganar o povo português. Não é uma questão menor. É uma questão relevante”, afirmou Pedro Nuno Santos num encontro com militantes do Partido Socialista (PS) em Viana do Castelo. No discurso que proferiu no auditório da Escola Superior de Ciências Empresariais (ESTG), o antigo ministro disse que “nós combatemos o Chega, tal como combatemos o PSD. Combateremos sempre, porque defendemos uma democracia, um país onde todos sejam respeitados. Um Portugal inteiro, um Portugal de futuro, um Portugal com desenvolvimento”, frisou.

O candidato a secretário-geral do PS afirmou que o PSD “não aprendeu nada ao longo dos últimos oito anos” de governação do PS, e “não fará diferente”, mas admitiu que o País “está longe de estar bem”.

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"Princesas de antigamente"

A coordenadora do BE, Mariana Mortágua, considerou ontem que vai ser difícil ao presidente do PSD "falar aos adultos" porque a sua imaginação "não passa das princesas de antigamente". A líder bloquista reagiu, assim, ao discurso de Luís Montenegro, na abertura do 41.º Congresso social-democrata, quando considerou que a ‘geringonça’ foi "uma versão moderna" do ‘gonçalvismo’, que tem "o seu mais fanático defensor" em Pedro Nuno Santos, juntamente com a "Cinderela".

"Não se chama camarada Vasco, chama-se camarada Pedro e tem uma Cinderela chamada camarada Mortágua";

"O PS não derrubou nenhum muro, saltou o muro para o lado de lá";

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"Dizem eles que sou eu que vou abrir a porta ao extremismo e radicalismo. Não, não sou eu quem vai abrir essa porta, foram eles que o fizeram e não fizeram outra coisa nos últimos oito anos".

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