Montenegro diz que Governo vai continuar "estratégia virtuosa" de redução de impostos sobre salários

Luís Montenegro referiu ainda que muitas vezes os deputados confundem "receita fiscal com carga fiscal".

29 de abril de 2026 às 18:04
Luís Montenegro Foto: Tiago Petinga/Lusa
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O primeiro-ministro, Luís Montenegro, assegurou esta quarta-feira que o Governo vai continuar a descer a carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho, considerando que essa se revelou uma "estratégia virtuosa" para o país.

"Se a pergunta é se nós vamos continuar esta estratégia, vamos, porque esta estratégia é uma estratégia virtuosa, que faz refletir na vida concreta das pessoas mais rendimento fruto do seu trabalho", afirmou.

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Luís Montenegro falava durante o debate quinzenal, na Assembleia da República, em resposta ao CDS-PP, que questionou se o Governo "vai ou não continuar a reduzir a carga fiscal sobre os salários".

Na sua intervenção, o líder parlamentar do CDS-PP afirmou que o Governo "já está mesmo a reduzir os impostos sobre as famílias portuguesas", nomeadamente no que toca aos rendimentos do trabalho, e referiu que nos últimos dias houve "duas confirmações oficiais".

Citando a Autoridade Tributária, Paulo Núncio afirmou que "em 2024, os rendimentos declarados pelas famílias portuguesas aumentaram 10%, mas a tributação efetiva sobre esses rendimentos reduziu-se em 1,2 pontos percentuais, ou seja, em 2024 os portugueses ganharam mais, pagaram menos IRS e, por isso mesmo, a carga fiscal sobre o trabalho começou a reduzir-se logo no primeiro ano de governação da AD".

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"A OCDE publicou recentemente um relatório precisamente sobre a carga fiscal sobre o trabalho e os resultados também não podiam ser mais claros. Em 2025, pelo segundo ano consecutivo, a carga fiscal sobre o trabalho em Portugal voltou a cair", salientou.

O deputado do CDS-PP referiu que em Espanha "a carga fiscal sobre o trabalho voltou a subir" e criticou os partidos de esquerda, que considerou estarem "absolutamente fascinados com a política fiscal de Pedro Sánchez".

E questionou se querem "uma carga fiscal à espanhola mais alta e a subir ou quer uma carga fiscal à portuguesa mais baixa e a descer".

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Na resposta, o líder do executivo assinalou que, de acordo com o relatório referido pelo CDS-PP, conhecido na semana passada, "Portugal foi um dos quatro países da OCDE onde o peso dos impostos e contribuições sobre os rendimentos do salário se reduziu em 2024 e em 2025".

"Deixámos de estar entre os primeiros, estamos nos últimos, nos que têm menos carga fiscal", afirmou e considerou que essa foi a razão para que os partidos não tenham trazido o assunto ao debate quinzenal.

Luís Montenegro referiu também que muitas vezes os deputados confundem "receita fiscal com carga fiscal e, sobretudo, receita dos impostos com a carga fiscal dos impostos".

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"A carga fiscal dos impostos era, em Portugal, de 24,9% em 2023, passou para 24,5% em 2024 e em 2025 e a nossa estimativa é que possa ser de 24,1% em 2026. É verdade que, circunstancialmente, a parte contributiva aumentou porque aumentaram os salários, foi sobretudo por via desse efeito", indicou.

Paulo Núncio defendeu também que o país "exige reformas" e que "quem não quer reformas e não deixa reformar, acaba reformado", aproveitando neste ponto para cumprimentar o ex-secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, pelo regresso ao parlamento, que não estava no hemiciclo naquele momento.

E questionou Luís Montenegro se acredita que a oposição vai "ultrapassar o imobilismo e aprovar as reformas que o país precisa".

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Na resposta, o primeiro-ministro disse acreditar que os partidos da oposição vão participar nestes processos por uma questão de interesse nacional.

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