MORREU O GENERAL KAÚLZA DE ARRIAGA
O general Kaúlza de Arriaga, o último cabo de guerra do Ultramar e fundador da Força Aérea e dos Pára-Quedistas, morreu ontem, aos 89 anos.
Kaúlza de Arriaga faleceu às 19h30 no Hospital Militar, na Estrela, em Lisboa, onde estava internado, há semana e meia, nos Cuidados Intensivos.
O funeral do general, que sofria há alguns anos de Alzheimer, realiza-se amanhã no Cemitério dos Prazeres, adiantou ao CM um dos seus cinco filhos, António Arriaga.
“A Força Aérea lamenta profundamente o desaparecimento do primeiro subsecretário de Estado da Aeronáutica e que deu forma à Força Aérea como ramo independente”, comentou ao CM o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea. O general Taveira Martins destacou que foi Kaúlza Arriaga quem “abraçou o projecto e a concretização do Corpo de Tropas Pára-Quedistas no seio da Força Aérea”.
Kaúlza nasceu no Porto, a 18 de Janeiro de 1915, cidade onde completou os seus estudos universitários de Matemática e Engenharia, após os quais ingressou na carreira militar.
Chefiou, entre 1953/1955, o gabinete do ministro da Defesa, num governo de Salazar, e foi subsecretário e secretário de Estado da Aeronáutica, de 1955 a 1962. Presidiu à Junta de Energia Nuclear de 1967 a 1969 e de 1973 a 1974.
De 1969 a 1970 comandou as forças terrestres em Moçambique e entre 1970 e 1973 foi comandante-chefe das Forças Armadas na mesma ex-colónia, onde foi um dos três cabos de guerra do Ultramar, com Spínola na Guiné e Costa Gomes em Angola.
Na madrugada do dia 28 de Setembro de 1974, a casa do general Kaúlza foi cercada por militares da Força Aérea, com o objectivo de o prender, à ordem do general Costa Gomes, Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, por pertencer a “associação de malfeitores”. Arriaga deixou-se prender e recusou o exílio pelo que só foi solto 17 meses depois, em 21 de Janeiro de 1976.
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