Morte de irmão abala Sócrates
Mário Soares e Jorge Lacão entre os que prestaram homenagem<br/><br/>
António José Pinto de Sousa, irmão de José Sócrates, não resistiu à doença pulmonar de que padecia há quatro anos. Morreu ontem de madrugada, no hospital da Corunha onde estava internado à espera de um segundo transplante pulmonar. O corpo do irmão do ex-primeiro-ministro chegou às 20h50 à igreja do Estoril (Cascais). À espera estava já José Sócrates, o primeiro a chegar à igreja. Ao longo da noite, Sócrates foi recebendo o apoio de familiares e amigos, nomeadamente do PS. O ex-secretário de Estado do Desporto Laurentino Dias foi o primeiro a comparecer no velório. Seguiram-se Jorge Lacão, Manuel Pinho, Paulo Campos e Mário Soares. O antigo presidente da República afirmou que Sócrates "está muito mal, era muito amigo do irmão e viveu muito a doença dele". Também a ex-mulher de José Sócrates, Sofia Fava, marcou presença numa hora de dor do ex-primeiro-ministro.
Em três semanas, José Sócrates perdeu o pai e o irmão e vê a mãe, Maria Adelaide, ficar cada vez mais debilitada. Aliás, até ao fecho de edição Maria Adelaide ainda não tinha comparecido no velório. António José, que era tratado pela família por Tozé, já estava em estado grave quando o pai, Fernando Pinto de Sousa, faleceu, na sequência de uma queda em casa, em Vilar de Maçada, Alijó. Não foi ao funeral do pai e, poucos dias depois, José Sócrates levou-o para o hospital da Corunha, onde aguardava por um novo transplante pulmonar.
PERFIL
António José, 49 anos, deixa órfãs duas adolescentes. Irmão mais novo de Sócrates, estudou Jornalismo e em 2008 foi nomeado responsável pelo gabinete de comunicação do Instituto da Droga e da Toxicodependência.
JOAQUIM ESPERA PULMÃO HÁ ANO E MEIO
Joaquim Barbosa, de 40 anos, é o paciente português que está há mais tempo na Corunha à espera de dador para fazer um duplo transplante pulmonar. É de Rebordosa, Paredes, mas vive na cidade galega há cerca de um ano e meio, apenas com a esperança de resistir à longa espera.
Sofre de fibrose quística há 20 anos e foi sendo tratado no Hospital de S. João, no Porto, até entrar em estado crítico, em 2009. Foi transferido de urgência para o hospital da Corunha. Pesava 45 quilos e estava em cadeira de rodas, agarrado a um aparelho de oxigénio. "Sofri muito ao longo destes 20 anos e ainda estou em sofrimento, porque não sei se algum dia terão órgãos para mim", disse ao CM Joaquim Barbosa.
O drama da doença atingiu toda a família. A mulher teve de deixar o emprego para cuidar do marido na Corunha, e os quatro filhos vivem longe do pai. Apenas durante as férias escolares passam alguns dias na cidade galega perto de Joaquim.
Durante esta angustiante espera, Joaquim conheceu vários portugueses tratados na Corunha, entre os quais António Pinto de Sousa. "Lamento muito. É mais uma morte. Foi vítima desta maldita doença que não tem cura", afirmou.
FIBROSE ORIGINA METADE DOS TRANSPLANTES
"Um transplantado tem entre 50 e 60% de hipóteses de sobreviver uma média de cinco anos", explicou ao CM Luísa Semedo, pneumologista do Hospital de Santa Marta, Lisboa. Até três anos após o transplante, há risco de complicações, "como a rejeição do pulmão ou infecções". A partir do momento em que é transplantado, o doente tem de tomar medicação para controlar as defesas do organismo, para evitar a rejeição. Cerca de 40 a 50 por cento dos transplantes pulmonares são feitos devido a fibroses. A fibrose pulmonar, explica Luísa Semedo, pode afectar apenas uma parte ou a totalidade dos pulmões.
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