Movimento cívico quer "dinamizar debate" à esquerda e admite lançar partido

Manifesto foi subscrito inicialmente por cerca de 80 personalidades.

25 de junho de 2025 às 17:24
Assembleia da República Foto: José Sena Goulão/Lusa
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Um movimento cívico lançou, esta quarta-feira, um manifesto que visa "dinamizar o debate público à esquerda" e propor um "novo modelo económico" para o país, com melhores salários e mais igualdade, admitindo vir a criar um novo partido político.

O manifesto, intitulado "Por um Portugal livre, justo e solidário", será discutido este domingo num fórum em Lisboa e foi subscrito inicialmente por cerca de 80 personalidades, entre as quais o ex-dirigente do BE e capitão de Abril Mário Tomé, a antiga secretária de Estado e deputada do PS Ana Benavente, o antigo deputado da UDP Afonso Dias e a vereadora independente da Câmara Municipal de Lisboa Paula Marques.

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Em declarações à agência Lusa, Pedro Teixeira, investigador em ciência política e um dos subscritores do manifesto, defendeu que é crucial "dinamizar o debate público" à esquerda num contexto de crescimento da extrema-direita e com um Governo da AD.

Pedro Teixeira salientou que, apesar de os subscritores partilharem o diagnóstico feito pelos partidos de esquerda, designadamente a ideia de que é necessário aumentar os salários perante o custo de vida, consideram que essas forças políticas "têm estado demasiado centradas em políticas e medidas avulsas".

O investigador defendeu que é preciso falar mais do "baixíssimo nível de investimento público" em Portugal, que considerou ser "bastante prejudicial" para a economia e para o bem-estar social", assim como do "excessivo peso do turismo na economia".

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"Nós gostaríamos de discutir de uma maneira mais sistemática e mais abrangente o que nós consideramos ser a necessidade de um novo modelo económico para Portugal, com melhores salários, mais igualitário, com reforço do poder dos sindicatos e também com o Estado com um poder mais estratégico para a orientação da economia", disse.

Pedro Teixeira considerou que, apesar do "trabalho meritório" que tem sido desenvolvido pelos partidos de esquerda, estes "nem sempre têm conseguido ter um discurso articulado sobre estas matérias".

"Nós queremos contribuir para um refrescamento destas perspetivas, que combatam um pouco algum enviesamento e dificuldade de transmissão destas ideias na esfera pública, (...) procurando chegar às pessoas que se sentem um pouco deserdadas, esquecidas pelo regime, pelos responsáveis políticos", disse.

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Questionado se considera que o futuro dos partidos de esquerda deve passar por captar eleitores do Chega, Pedro Teixeira disse que a esquerda "deve sempre tentar convencer quem quiser ser convencido".

"Nós procuraremos, à nossa maneira e com as nossas capacidades, tentar persuadir essas pessoas que as soluções mais recentes que têm adotado, designadamente essa transferência de voto para o Chega, nasce de um equívoco profundo que nós queremos combater", referiu.

Sobre se este movimento admite, a longo prazo, vir a formar um novo partido político, Pedro Teixeira que esse é "um dos horizontes" que os subscritores têm em mente, mas ressalvou que isso ainda tem de ser decidido, sendo o objetivo mínimo inicial "influenciar o debate político".

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"O que nós podemos vir a decidir em conjunto é que não existe um partido que reflita no seu agregado, no seu conjunto, a nossa posição. E, caso seja essa a situação e se nos parecer favorável e possível, então creio que avançaremos para a criação de um partido", referiu.

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