"Não tenho conhecimento sobre quem são os alvos": Carlos Moedas reage a buscas na Carris
Presidente da Câmara Municipal de Lisboa felicitou o Ministério Público por "estar a atuar", dizendo que "é necessário e muito importante".
O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa reagiu, esta sexta-feira, à realização de buscas por parte do Ministério Público e da Polícia judiciária a responsáveis da Carris e da empresa que fazia a manutenção do ascensor da Glória, após alegadas falhas nos cabos poderem ter estado na origem do acidente que em setembro de 2025 matou 16 pessoas. Carlos Moedas disse não ter conhecimento sobre quem são os alvos da operação e felicitou o Ministério Público por estar a atuar, dizendo que "é necessário e muito importante".
Sem adiantar detalhes sobre a investigação em curso, o autarca frisou não ter “conhecimento nenhum sobre quem são os alvos” das buscas realizadas esta sexta-feira pela Polícia Judiciária.
"Não temos qualquer informação. Este trabalho é essencial. A investigação é bem-vinda", afirmou Carlos Moedas, numa reação às diligências em curso. O autarca fez questão de elogiar a atuação da justiça: "Penso que o Ministério Público está a fazer o seu trabalho, temos de apurar toda a verdade por respeito àqueles que faleceram."
O presidente da autarquia revelou ainda que pediu à Carris "uma auditoria externa que também está em curso", sublinhando que este tipo de processos exige tempo. "Este tipo de auditorias não podemos pôr pressão sobre os técnicos. Penso que na altura disseram que iria durar um ano desde o acidente”, afirmou.
Segundo Carlos Moedas, "os relatórios da Carris, aquilo que me é dito, é que um deles está no fim da primeira fase", estando também a decorrer "uma auditoria externa".
Carlos Moedas recordou ainda o impacto do acidente na cidade de Lisboa, classificando-o como "a maior tragédia que aconteceu aqui na cidade". "Este é um drama tão grande para a cidade que eu não sou o mesmo que era anteriormente", concluiu.
A Polícia Judiciária realizou esta sexta-feira buscas a responsáveis da Carris e da empresa responsável pela manutenção do Ascensor da Glória, depois de alegadas falhas nos cabos poderem ter estado na origem do acidente ocorrido em setembro de 2025. Em causa estão suspeitas dos crimes de homicídio por negligência e violação de regras de segurança.
O procurador do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa responsável pelo processo acompanhou algumas das diligências, tendo fonte da Polícia Judiciária indicado que a PJ foi chamada "para dar apoio ao Ministério Público".
Outras reações
Os vereadores da oposição na Câmara Municipal de Lisboa reagiram esta sexta-feira às buscas realizadas pela Polícia Judiciária no âmbito da investigação ao acidente no Ascensor da Glória. O vereador em substituição do Bloco de Esquerda, Ricardo Moreira, disse que o partido acompanha "com muita preocupação" as buscas, sublinhando a gravidade das suspeitas de homicídio por negligência.
O vereador criticou ainda a falta de transparência do processo, afirmando que, nove meses depois da tragédia, as auditorias anunciadas pela Câmara continuam sem resultados conhecidos. "O GPIAAF (o gabinete que investiga acidentes ferroviários), que tem apenas um, dois técnicos já produziu dois relatórios e a Câmara Municipal anunciou um conjunto de auditorias que ninguém conhece", apontou Ricardo Moreira.
Ricardo Moreira acusou também o executivo liderado por Carlos Moedas de falta de iniciativa no apoio às vítimas. "Mesmo coisas que eram de apoio às vítimas teve de ser a oposição a exigir porque Carlos Moedas não avançou", disse.
Já o vereador do PCP, João Oliveira, afirmou que "faltam respostas" sobre o acidente e defendeu que as investigações em curso devem apurar todas as responsabilidades políticas.
João Oliveira questionou igualmente a falta de informação sobre as auditorias interna e externa anunciadas pela Câmara Municipal de Lisboa, referindo que o PCP já pediu esclarecimentos "por diversas vezes". "Nós não temos nenhuma informação acerca das auditorias e não foi por não a termos pedido", afirmou o vereador.
O vereador do PS, Pedro Anastácio, acusou Carlos Moedas de não revelar os documentos referentes às auditorias externas que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa diz estarem a decorrer. Pedro Anastácio afirmou que a situação "fragiliza e envergonha o município" e alertou para a necessidade de mais transparência no processo.
O vereador referiu ainda que considera a investigação atualmente em curso "muito importante", relembrando as 16 vítimas mortais do descarrilamento, ocorrido em setembro de 2025.
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