Negócio chumbado
A Oposição chumbou ontem numa reunião da Câmara de Valongo, uma alteração ao Plano Director Municipal, que iria permitir desafectar da Reserva Ecológica Nacional (REN) os terrenos de Alfena, que foram comprados a 27 de Setembro de 2007 por 4 milhões e vendidos dez minutos depois por 20 milhões. No local iria ser construído um interposto do grupo Jerónimo Martins.
O negócio milionário feito por Jaime Resende, deputado da Assembleia Municipal de Matosinhos, deveria render-lhe uma mais-valia de 16 milhões, caso o PDM fosse alterado e nos terrenos fosse construído o interposto. O partido Coragem de Mudar e o PS votaram contra a alteração, pelo que o negócio fica sem efeito. "Não compactuamos com este tipo de negócio, feito por ‘chicos-espertos'. Compram terrenos a um preço muito baixo e depois usam da sua capacidade de movimentação e de influência junto dos eleitos da câmara para terem um grande investimento", explicou ao CM o vereador Pedro Panzina, do Coragem de Mudar.
Pedro Panzina salientou ainda que é totalmente a favor da criação de emprego, mas que tal não pode é ser feito desta forma e a qualquer custo.
MAIS DE 60 RECLAMAÇÕES
O plano de alteração do PDM esteve sujeito a um período de discussão pública durante o qual foram recebidas mais de 60 reclamações de cidadãos, que se manifestaram contra a construção de uma zona industrial nos terrenos de Alfena, Valongo. Nenhuma das queixas foi tida em conta para a elaboração do relatório final feito após tal período e que indicava que a alteração do PDM era favorável para aquele local.
A Oposição continuou, porém, a ter muitas reservas, pelo que um representante do fundo, gerido pelo Santander Asset Management reuniu-se com os partidos. "Se o negócio cheirava mal a partir da aí começou a tresandar", disse Pedro Panzina.
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