Negócio das salinas dá casa a primo de Sócrates na Malveira
Moradia que levou a novo inquérito envolvida na compra de alegada exploração de sal a empresa de Hélder Bataglia, que foi administrador do BES Angola.
Hélder Bataglia, antigo administrador do BES Angola, está na origem da compra pelo empresário Carlos Santos Silva de uma casa, na Malveira, a um primo de José Sócrates. A informação é do jornal ‘Sol’, que também deu conta do negócio, concretizado em 2022 e que, em 2025, deu origem a um novo inquérito do Ministério Público (MP) por suspeitas de branqueamento de capitais. O proprietário original do imóvel é o magnata angolano Fernando Anjos Ferreira, que ficou com a sociedade ‘Salinas do Tchiome’, criada para alegada exploração de sal, em Benguela, pela Margest, que o 'Sol' descreve como empresa fantasma de Bataglia.
“Paguei cinco milhões de euros pelo negócio, uma parte por transferência bancária e o remanescente com dois apartamentos: um para o Zé Paulo e outro, no Porto, para o Miguel Batagilia [sobrinho do homem do BESA]”, disse ao ‘SOL’ Anjos Ferreira. Foi assim que José Paulo Pinto de Sousa ficou, em 2018, com o apartamento na Ericeira, para onde, no mesmo ano, se mudou o primo Sócrates.
Mas a dívida de Anjos Ferreira ainda não estava paga e, em 2022, este passa uma casa na Malveira para Zé Paulo, que, no mesmo ato notarial, a transfere para Pedro Pinto de Sousa. É este último, também primo antigo chefe do Governo, que acaba vender a moradia a Santos Silva, por cerca de 800 mil euros. Diz a acusação da ‘Operação Marquês’ que o empresário amigo, Sócrates, José Paulo e Hélder Bataglia terão feito circular dinheiro para o antigo primeiro-ministro com este tipo de negócio. Bataglia liderou a Escom, do grupo Espírito Santos e que terá feito chegar ‘luvas’ de cerca de 30 milhões, num esquema orquestrado por Ricardo Salgado.
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