Nuno Melo lamenta "tom, adjetivos e considerações" de Menezes quanto a terreno em Gaia

Em causa está um terreno militar na Serra do Pilar que a Câmara quer utilizar para habitação.

24 de outubro de 2026 às 18:56
Nuno Melo, Ministro da Defesa Foto: Oliver Hoslet/EPA
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O ministro da Defesa lamentou este domingo "imenso" o "tom", os "adjetivos" e as "considerações" feitas pelo presidente da Câmara de Gaia, que o acusou de mentir sobre um processo relativo a terreno militar que a autarquia quer para habitação.

"Eu lamento imenso aquilo que aconteceu ontem. Lamento o tom, lamento os adjetivos, lamento as considerações pessoais e até partidárias, se tivermos em conta que o CDS é um partido que, lealmente, esteve do lado do doutor Filipe Menezes a apoiá-lo naquela caminhada que o levou até à presidência", disse hoje Nuno Melo, também presidente do CDS-PP, aos jornalistas, no Porto.

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Ladeado pelo presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte - que não quis prestar declarações sobre a nega, pela organização da Acampada pela habitação, de contactos com a autarquia - Nuno Melo disse ter "muita pena" das declarações de Menezes, recusando fazer qualquer "tipo de consideração pessoal", afirmando que tem "profunda estima" pelo autarca de Gaia.

Na sexta-feira à noite, na SIC Notícias, Luís Filipe Menezes acusou Nuno Melo de mentir, dizendo que era "completamente falso" que tenha sido convocado para uma reunião na quinta-feira, dizendo ainda que o ministro se recusou a atendê-lo.

Em causa está um terreno militar na Serra do Pilar que a Câmara quer utilizar para habitação, e na quinta-feira Menezes disse estar "à espera há um ano, com os empresários com o dinheiro na mão, com os fundos internacionais que querem financiar, sem a Câmara entrar com tostão, por causa do senhor ministro".

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Hoje, Nuno Melo manteve a versão apresentada na sexta-feira por fonte oficial do ministério, reiterando que em 2002 "o exército entregou à Câmara de Gaia alguns dos melhores terrenos que tinha na Serra do Pilar num protocolo que teve contrapartidas", que eram "obras em três quartéis e a valorização de um terreno através da sua capacidade construtiva", mas "até hoje esse protocolo não foi cumprido" e "nenhuma obra foi feita".

Segundo o ministro, "entregando-se hoje esse terreno à Câmara de Gaia, então significava que o Exército daria tudo e não teria nenhum retorno", insistindo que está vinculado à Lei das Infraestruturas Militares, que "obriga a que se um terreno das Forças Armadas sair (...), tem que ser rentabilizado, não pode ser dado".

"Qualquer entidade que queira beneficiar de edifícios que estão no perímetro das Forças Armadas, através da Lei das Infraestruturas Militares, tem que pagar", e após uma avaliação da empresa pública Estamo, "estabelecem-se os termos em que essa rentabilização é feita", podendo o pagamento "ser feito diretamente pela entidade que quer ficar com o terreno".

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Estando também ladeado pelo secretário de Estado Álvaro Castelo Branco, disse que este "deu instruções ao seu chefe de gabinete para contactar, e contactou, o chefe de gabinete do Dr. Luís Filipe Menezes, para que na quinta-feira fosse realizada uma reunião".

"A conversa aconteceu e a reunião ficou de ser confirmada, sendo que depois acabou por não ser confirmada, apesar de várias insistências, vários telefonemas, mas facto é que não apareceu ninguém na reunião, nem foi dada nenhuma justificação para o facto", vincou Nuno Melo, que garantiu que não é "nenhuma desconsideração" reunir-se com o secretário de Estado, que tem a "competência expressa" relativamente a infraestruturas.

O ministro sugeriu ainda que quanto a habitação, há "imensos jovens militares a precisar de casa" e "a autarquia pode construir habitações, múltiplas habitações, 3.000, 4.000, as que quiser, entregando parte às forças armadas para que fiquem disponíveis para os jovens militares".

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"O apelo que eu faço é para que, mais do que invetivas através da comunicação social, que ajudam pouco a resolver os problemas, alguém da Câmara de Gaia, o seu presidente, alguém por si mandatado, reúna onde quiser" e "não tem de ser em Lisboa", dizendo o ministro que até gosta "muito mais" de se reunir no Porto.

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